sábado, 19 de agosto de 2017

Prelúdio - Ato 000 - O triunfo de Atena (Prólogo)


A guerra santa entre Atena e Poseidon se desenvolvia. As forças de Poseidon recuavam pelo templo do deus na Superfície da Terra (Sekai) rumo ao Templo Submarino, o último reduto de resistência do deus numa batalha.

Atena rumava vitoriosa com seus cavaleiros e amazonas rumo a fortaleza submarina do seu oponente. A superioridade de seu exército vestido pelas sagradas armaduras forjadas pelos alquimistas lemurianos era evidente, e a deusa sufocara o Senhor dos Mares em sua última chance de vitória.

Cinco Cavaleiros e duas Amazonas da mais alta casta ateniense desceram, confrontaram e venceram os Generais Marinas, elite de Poseidon e sua última linha de defesa.

Ankaa de Phoenix, Lubian de Pavão e Talia de Dragão tinham os arredores dos sete pilares sob controle, e Leo de Áries fazia a guarda pessoal de Atena.

No Salão Principal, sala do trono de Poseidon, o Senhor dos Mares caíra diante Atena, e não mais havia espaço para seu imenso orgulho olimpiano.

Poseidon estava atônito. Ele vira sua conquista sucumbir à força súbita do exército de Atena.

Durantes três anos foram muitas as áreas da Terra que haviam sido anexadas aos seus domínios. Seus generais marinas cumpriram seu papel, e ainda que com dificuldades tornavam-no vitorioso a cada investida.

O deus derrotado teria sua alma selada por Atena, imponente em sua armadura dourada reluzente. Sua força desaparecera.

Poseidon estava caído ao lado de seu trono. Em volta diversas colunas que sustentavam o grande salão estavam quebradas. As imponentes paredes do seu templo talhadas com a imagem do tridente, marca de sua posse, e das sete bestas marinhas, insígnias de sua elite de soldados, estava em cheias de rachaduras a ponto de ruir. A destruição total da grandiosa morada do deus em seu santuário de poder estava prestes a acontecer.

— Está acabado, Poseidon! Afirma Atena. — Seu exército foi derrotado, e é hora de você repousar num sono divino.

Atena apontava Niké, a deusa da vitória, que na forma de seu cetro, sempre acompanhava a deusa da Sabedoria e da Guerra Justa, e garantia o seu sucesso nas batalhas.

— Acabou Atena. O orgulhoso deus estava resignado. — Subestimei sua força e sabedoria. Sua estratégia foi certeira. Os trajes feitos por Lemúria mudaram a guerra a seu favor. Malditos Lemurianos! Fui derrotado mais voltarei!

Como um flash de luz, Poseidon repassa a história da guerra perdida em seus últimos minutos de liberdade.

À MENTE DE POSEIDON

Grande Salão do Imperador ...

Reuniam-se os sete Generais Marinas, e o poder de suas escamas alaranjadas traçavam o caminho da vitória.

Seu olhar corre todos os pontos de combate ...

O gigante Crisaor, que dizimou resistências nas proximidades da Ática com sua poderosa lança dourada, estava ao chão. Sua lança sucumbira ao brilho dourado das galáxias destruídas pela poderosa técnica de Ozir de Gêmeos.

Miriah de Scyla, a rainha das seis poderosas bestas, conquistadora da Grécia, estava esgotada. O escudo do cavaleiro de libra fora a defesa perfeita.

Lytah de Lumnades, mestra da ilusão devastadora das terras baixas sobre o polo sul, não mais estava no templo submarino. Anryu de Cancer pelo portal do sekishikii levara sua alma para o mundo de Hades.

Dimmi, o poderoso Kraken, proclamador da justiça de Poseidon nas terras gélidas ao norte do polo ártico, estava congelado. Sua escama não brilhava mais, pois estava ofuscada pela brilho do pó de diamante que chovia pelas mãos de Aria de Aquário.

O Dragão Marinho, com sua tempestade e maremotos conquistou a costa e avançou o grande continente banhado pelo oceano Atlântico Norte, mas sucumbiu ao fio dos relâmpagos de Aaron, o leão dourado.

Kraig de Cavalo Marinho, o general que a galope tomou o mar mediterrâneo para o hall de conquistas do senhor dos mares, fora derrubado pela estrela vibrante do touro dourado.

Então a mente do deus vem a última general marina, cuja ambição não fora maior que sua consciência do amor de Atena: a desertora Sarah de Sirene. Depois de conquistar as ilhas do oceano Índico e perder a batalha por Lemúria, teve numa rosa branca da amazona de peixes a marca da sua traição.

O deus vê seus guerreiros caídos, e onze cavaleiros e amazonas, com seus trajes consagrados por sua algoz emanando poder exuberante.

Poseidon recorda quando as sagradas armaduras de Atena reverteram o curso da batalha. Quando seus soldados foram devolvidos ao mar pela força de guerreiros forjados por suas perdas pessoais.

Atena compartilhado das recordações de Poseidon lembra-se de seus guerreiros que recuperaram os territórios das mãos do deus dos mares: Tuk de Cerberus no mar Mediterrâneo; Marcos de Cruzeiro do Sul no extremo sul; Sula de Camaleão na parte média das terras banhadas pelo oceano Pacífico; Jeane de Lebre na península do Atlântico Norte; Arthur de Escultor na grande ilha do extremo norte da Atlântico; Nicole de Bússola nas ilhas da porção média do oceano Índico; Adam de Sagitta e Nora de Hydrus nas grandes terras ao norte banhadas pelo oceanos Atlântico e Pacífico prologando até as terras árticas; Leonel de Tucano, Tina de Sextante e Metis de Serpente no grande continente ao centro da terra, separando o Atlântico do Índico;  Sobis de Triângulo e Karl de Lyra nas terras geladas a leste do Índico, no oceano Ártico, dentre outros.

Poseidon olha para o extenuado Leo de Aries, que coberto pela a poeira estelar o enfrentou em defesa de Atena. As marcas em sua testa causaram a ira do Senhor dos Mares.

— Lemurianos ... Malditos lemurianos. Esbraveja Poseidon com que restava de suas forças. — Resistiram a todos os meus ataques, e ainda criaram as armaduras para Atena.

Leo, Ankaa, Talia e Lubian, ambos lemurianos, sentiram um mal pressentimento varrer suas mentes.

— Vou acabar com vocês! Gritou Poseidon.

Muito fraca sua alma sugada pela ânfora de Atena. A deusa corta seu dedo com parte interna e pontiaguda do báculo e escreve seu nome em pedaço de tecido que pedira a Leo. Com esse selo Poseidon estaria inativo por muitas gerações.

O Templo Submarino ia se desintegrando, visto a inexistência do enorme cosmo do deus que agora estava selado.

Atena convoca seus cavaleiros e amazonas, que apoiando os guerreiros já sem o poder de suas escamas caminham ao encontro de sua deusa.

Sarah e Ted tinham seguido caminhos diferentes. Sarah já havia saído do Templo Submarino, após ser perdoada por Régia de Peixes, e Ted desaparecera após perder sua escama.

Reunidos Ozir de Gêmeos; Aaron de Leão; Ian de Libra; Anryu de Cancer; Ária de Aquário, gravemente debilitada após intensa batalha e apoiada por Ankaa de Phoenix; Teneo de Touro; Régia de Peixes; Lúbian de Pavão, Talia de Dragão e Leo de Áries, com o brilho de seus cosmos intensificados pelo poder de sua deusa, abriam espaço entre os destroços do templo para a passagem de Atena e da alma de Poseidon selada.


ATENA TRIUNFA SOBRE POSEIDON. ONZE GUERREIROS FECHAM A GUERRA SANTA QUE ABRE AS DISPUTAS PELO DOMÍNIO DA TERRA. A HISTÓRIA COMEÇA A SER CONTADA.


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Prelúdio - Ato 016 - Trégua


Ariadne estava feliz por reencontrar Aria pouco mais de um ano depois, e a batalha então finalizada não as havia permitido sequer um abraço. Elas caminham em sua direção uma da outra quando uma terrível cosmo-energia surge.

As amazonas se olham e se posicionam para um possível confronto.

— Este cosmo ... A mesma energia que destroçou nossa vila. Conclui Ariadne.

Aria pressentindo um ataque, a velocidade da luz salta a frente de Ariadne e toma todo o golpe emitido pela névoa que junto ao cosmo surgira. Uma longa risada ecoa e ouve-se uma voz.

— Parece que reencontrei minha órfã. E pelo que vejo se bandeou pro lado de Atena. Mas não se preocupe ... Darei um fim a essa história triste. Decidi por poupar sua vida a cinco anos atrás, mas estar com Atena ...

A névoa se dissipa e surge um homem. Vestido com uma reluzente escama do reino dos mares, se apresenta.

— Eu ... Dimmi de Kraken. O General Marina do Oceano Ártico! Terminarei o que deixei incompleto.

Aria se enche de fúria ao lembrar-se da destruição que ele causara.

— Foi você?! Dizimou toda a vila. Não o perdoarei!

Com um calma e um sarcástico ar de superioridade zomba o marina ...

— Então é você ... A “Senhora das aguas”. Aquela de que todos diziam. Aquela que dizimou meu exército. Não sabe o quanto a procurei, mas como é engraçado o destino, ele tarda mas não falha. Vamos ver se é tão “Senhora” assim de alguma coisa.

Preocupada com o cansaço físico de Ariadne por seu enfrentamento aos soldados marinas de Dimmi, e decidida a se vingar por todos da vila Aria afasta Ariadne e assume a luta.

— Proteja-se Ariadne! Diz — Eu acertarei as contas com ele!

Ariadne, inconformada, e tomada da mesma sede de vingança de Aria olha para a aquariana desolada.

— Mas ele matou minha família. Retruca. — E toda a minha vila.

Aria com autoridade olha para Ariadne.

— Não! Firme conclui Aria. — Não está em condições. Ela era minha casa também. Amava a todos apesar do pouco tempo. Acabarei com ele por todos nós.

Diante palavras decisivas resigna-se Ariadne, lançando um olhar marcado pela confiança em Aria depositado. Aria balança a cabeça em sinal de respeito a confiança recebida.

— Está bem. Diz Ariadne. Confio em você. Acabe com ele!

Com um ar de deboxe interrompe Dimmi.

— Já acabaram-se as despedidas? Não se preocupe, garota de Cisne ... serás a próxima.

Aria de Aquário e Dimmi de Kraken ficam cara a cara, atentos a todos os movimentos um do outro, prontos para o confronto. Naquele ambiente tenso Dimmi quebra o gelo com provocações.

— Fiquei impressionado com vocês. Primeiro você de Aquário ... derruba um a um meus soldados a cinco anos atrás. Agora essa menina de Cisne faz o mesmo. Não que eu me importe com eles, pois não valem tanto assim pra mim. Mas isso é uma fronta a Poseidon, o Senhor dos Mares!

Dimmi abre os braços, mostra a Aria os arredores do local, e continua.

— Um deus muito maior que Atena, residente nesse mundo há muito mais tempo que ela. Uma menina mimada, nada mais que a filha rebelde de Zeus. Poseidon é o verdadeiro senhor da Terra, e garantirei essas terras a seus domínios.

O marina, com uma tranquilidade inabalável, olha no fundo dos olhos da amazona, em meio ao pó de diamante que caia. Ele corrige sua postura, muda de semblante e chama Aria para a luta.

— Vamos Aquário. Não temos tempo a perder. Prepare-se para conhecer a técnica que destroçou aquele vilarejo sujo, e que ira acabar com cada uma de vocês. Já que escolheu ser a primeira ...

Dimmi faz cair flocos de neve e após o leve escurecimento do céu, ele concentra a energia da aurora em suas mãos. Com os braços abertos uma descarga elétrica percorre a distância entre as mãos, da energia acumulada em cada mão. Juntando os braços á frente uma grande carga de ar congelado, roubado do ambiente, é lançado em direção a Aria.

— Morra! Grita Dimmi. — Aurora Boreal!

Aria, surpresa com a intensidade do poder atirado, movimenta suas mãos no sentido de bloquear a técnica.

Um marca no chão de neve fica, feita pelos pés da amazona que fora arrastada duzentos metros para trás da posição em que recebera o golpe. A força devastadora da Aurora Boreal fora contida, mas Aria agora sabia pelo que passara a vila de Graad.

Cansada, e impactada pelo último golpe recebido, Aria se posiciona para atacar diante Dimmi admirado.

— Ainda de pé, Amazona. Zomba Dimmi. — Muito me admira ter suportado minha técnica. Mas saiba que lancei um golpe de força reduzida. Não quis destruir teu belo rosto. Planejava contemplá-lo ao retirar a máscara de teu cadáver, mas já que insiste que seja pra valer farei o que desejas.

Aria movimenta a cabeça em sinal de desdém.

— Reduzido? Indaga de forma sarcástica. — Logo vi. Pude conter sem muito esforço. Esperava mais de um General Marina de Poseidon. Que decepção! Na próxima ... mande tudo o que tens. Não se importe com o belo rosto por detrás da máscara, pois ele é mais letal do que possa pensar!

Aria levanta a cabeça, e se posiciona.

— Sou uma Guerreira de Atena!

Apesar das frases determinadas Aria estava preocupada com a força do ataque do marina, dito de poder reduzido.

— Tenho que me concentrar. Pensa Aria. — Este ataque quase acaba com a luta. Se não fosse a armadura de ouro ...

Certa da necessidade de demonstrar equilíbrio na luta desafia Aria.

— Vamos acabar logo com isso!

O ar frio começa a se concentrar de volta do seu corpo, com o intensivo aumento de seu cosmo. Dimmi se assusta com o repentino aumento do cosmo da sua oponente. Extremamente agressivo, o cosmo de Aria atrai todo o ar frio do ambiente deixando o ar próximo a Dimmi mais quente, além da terrível chuva de neve que provocara. O marina se prepara para receber uma grande técnica.

Aria com grande frieza, visto a afastamento de todos os sentimentos naquele momento, dispara o ar frio em direção ao adversário revelando sua técnica.

— Pó de Diamante!

Dimmi, apavorado, vê uma grande quantidade de ar frio partindo como um cometa em sua direção. Ele tenta bloquear, mas é arremessado a quilômetros de distância.
Diante o sucesso aparente Ariadne se empolga.

— Conseguiu! Você conseguiu! Diz.

Aria balança a cabeça e retruca.

— Não se engane! Não subestime teu adversário. Esse pode ser seu último erro!

Aria caminha em direção ao local onde Dimmi foi arremessado e sente seu ombro dolorido. O impacto do pimeiro golpe e da Aurora Boreal causara-lhe aquela sequela.

Em meio à nuvem de neve encontra-se de pé, Dimmi, já sem seu elmo e com parte de sua armadura destruída. Ariadne fica apavorada com a resistência do marina.

O marina se ajeita de pé e dá uma gargalhada.

— Usuahahahahaha. Acredito que dosou o teu ataque. Não posso crer que isso seja tua força máxima.

Agora, é Aria que ri.

— Engraçado, diz. — É a primeira vez que dizes algo coerente. Não conheces meu verdadeiro poder, mas terá oportunidade. Vejamos o poder em seu máximo explendor no seu próximo ataque.

Dimmi fica sério, e deixa Aria confusa com suas palavras.

— Não! Diz Dimmi. — O Kraken ... Conhece a lenda? Vou te contar. O justiceiro dos mares. O Kraken é uma criatura lendária que habita os mares glaciais: O Oceano Ártico. Uma vez alcançado pelo Kraken nada resiste. Mas o Kraken não mata inocentes, apenas barcos que levam a bordo ódio e ganância. Ele os castiga sem dó, e é impassível diante do mal.

O marina inclina-se em reverência.

— Ele o destrói completamente, e sentimentos diante do inimigo são sinais de fraqueza. Admiro sua frieza diante o adversário. Sei que estás machucada pelos golpes que te apliquei. Também estou machucado pelo seu Pó de Diamante. És a melhor de meus adversários até hoje.

Séria, Aria meche a cabeça em sinal de agradecimento. Dimmi Ajeita um pedaço de sua escama partido, e prossegue.

— E quero uma luta inteira com esse adversário de valor. Quero que lutemos com todas as nossas forças. Quero o máximo de teu poder para que possamos medir nossas forças. O empate não é aceitável. O Kraken não empata quando devora o mal. A superarei em teu poder máximo, assim proponho um trégua.

Aria sente a força do cosmo de Dimmi enfraquecida e percebe a veracidade de suas palavras e intenções. Dimmi toca o peito atingido pelo Pó de Diamante de Aria.

— Nos recuperaremos e nos veremos de novo. O que você me diz? Indaga Dimmi.

Por alguns segundos, o silêncio paira no ar. Aria admite que não poderia dar o melhor de si com o ombro machucado.

— Concordo. Responde Aria. — Vieste em meu mundo. Terminaremos essa luta no seu. Uma luta sem tréguas, até que sobre apenas um: O vencedor.

Dimmi vira-se de costas e segue de volta ao mar.

— Certo! Nosso reencontro está marcado. Te esperarei.

Ele some e Aria cai. Ariadne a ampara.

— Dói. Diz Aria. — Meu ombro. Conter a Aurora Boreal quase me custou um braço.

Ariadne lembra-se das palavras de Dimmi.

— E tinha poder reduzido. Completa Ariadne.

Aria, mesmo com muita dor, ri da inocência de sua companheira amazona.

— Não creio. Rebate Aria — Disse aquilo para me intimidar. Mostrar superioridade a uma mulher. Mas já conheço sua técnica, e isso é o mais importante.

Aria, como mestra, instrui Ariadne.

— Cuidado, Ariadne. Não subestime o adversário. Nunca!

Como uma boa aprendiz, Ariadne tudo ouve e compreende.

Ariadne leva Aria até a vila para receber cuidados médicos e se recuperar daquele difícil confronto.

A amazona de Aquário tinha um desafio a vencer em breve. Os destinos de Aria e Ariadne mudariam por completo após conhecerem aquele homem.


O MAL VINDO DO MAR QUE OUTRORA TIRARA MUITAS VIDAS SE REVELA. UMA BATALHA FEROZ, UMA TRÉGUA E UM NOVO DESTINO. O QUE AGUARDARÁ ESSE CONFRONTO FINAL?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Prelúdio - Ato 015 - A Senhora das Águas


Um ano antes da derradeira vitória de Atena sobre Poseidon nasceriam três gerações de soldados para a confraria de Atena. Territórios de Atena iam sendo retomados pouco a pouco, e a vila de Graad foi um desses locais.

Na região da Sibéria, das águas geladas do mar ártico saiam grandes grupos de marinas. Ariadne de Cisne, recém consagrada Amazona de Bronze, os combatia, mas a velocidade com a qual saiam do mar ameaçava a segurança da vila de Graad, localizada a quilômetros dali.

Com muita agilidade Ariadne derrubava grupos inteiros com apenas um golpe, mas depois de muito tempo lutando solitária se esvaiam suas forças e tudo parecia perdido.

Quando a invasão parecia inevitável eis que surge a leste uma grande massa de ar frio, os marinas viram estátuas de gelo e em seguida pó. O mar virou uma pista de gelo, forçando o recuo das forças de Poseidon.

Chegara Aria de Aquário para ajudar. Ariadne olha para ela e sorri.

— A Amazona de Aquário ...

Séria como de costume, Aria demonstra preocupação com sua companheira amazona.

— Estás bem Ariadne?

Apesar do tempo, era nítido que a Aria mudara muito pouco.

— Sim. Responde a jovem amazona.

— Observava tua performance. Continua Aria. — Tens força de vontade e lutas com amor, mas é necessário que eleves teu nível de cosmo. Teu ar frio pode ser derrotado, caso enfrentes alguém mais forte.

A amazona de Bronze atenta e respeitosa pela posição de Aria, compreende suas palavras e sinaliza positivamente com a cabeça.

— Treinarei mais!

Ariadne lembra-se de um tempo atrás, pensa em voz alta e resmunga.

— A Senhora das Águas.

Aria se surpreende com o que acabara de ouvir.

— Senhora das Águas ... Pensa.  — Há tempos não ouvia esta frase.

À mente da amazona dourada pairam lembranças, algumas doces e outras nem tanto.

UM ANO ATRÁS

Sentados em volta de uma antiga fonte, ao centro da vila de Graad - leste da Sibéria -, Aria, uma jovem moradora do local há por volta de dois anos, junto a algumas crianças brincava. Aria tinha o dom especial de transformar água em gelo, e naquele momento brincava com seu poder para a admiração de todos.

— Como você faz isso? Curiosa, pergunta a pequena Ada.

— Isso é muito legal!  Faz um pra mim também. Pediam as crianças.

Mas seu dom não era bem visto por algumas pessoas mais antigas da vila.

— Venha aqui Ada! Diz uma senhora. — Saia de perto dessa bruxa. Não é bem vinda aqui! Volte para o lugar de onde veio! Moça estranha!

Outras mães surgem e levam seus filhos, mas uma menina um pouco maior que as outras, aparentemente uns cinco anos mais nova que Aria permanece.

— Por que você não vai também? Pergunta Aria.

A menina abre um largo sorriso.

— Porque não quero. Afirma a menina.  — Gosto de teu dom. Gostaria de ter um igual ao teu. Gostaria de ser especial em alguma coisa, como você é ... “A Senhora das Águas”. O que você acha do nome?

Aria se encanta com a inocência da menina.

— Legal. Responde Aria. — Não me acha uma “bruxa”? Intrigada pergunta Aria.

A menina olha com carinho para Aria.

— Não. Responde. — Só acho que deverias sorrir mais.

Aria sorri depois de conselho de tão jovem pessoa.

— Fica mais bonita. Continua a menina. — Olhe só.

A menina aponta o espelho de água da fonte e Aria se vê sorrindo.

— Gosto de você. Diz a menina. — Pena que nunca sorri.

Acalentada pelas doces palavras, Aria agradecida mostra sua admiração.

— Obrigada. Diz Aria.— Também gosto de você. É simpática. Mas, qual o teu nome?

A menina inocente brinca.

— Meu nome ... Começa a menina. É quase tão bonito quanto o teu. Me chamo Ariadne.

A mãe da menina a chama e ela corre em sua direção.

— Aria, a “Senhora das Águas” ... É minha amiga. Diz a menina correndo.

A mãe de Ariadne olha para Aria, e amistosamente acena e sorri. Aria fica ali pensativa em tudo que ouvira.

Os dias passam e as forças de Poseidon chegam a vila. Os homens e jovens deixam as mulheres e crianças abrigadas nas casas, e ao barulho do grande sino pegam suas ferramentas de trabalho para defender sua terra natal. Em meio a mobilização, ainda sem saber o acontecia Aria é interpelada por um senhor que partia para batalha.

— Saia daqui. Procure um abrigo. Os monstros vindos do mar estão invadindo a vila. Proteja-se, querida!

Atordoada Aria vê uma criança encolhida perto da fonte e apavorada com todo o barulho e movimento. Aria a reconhece. É Ada, a menina cuja mãe a chamou de bruxa.

— Venha comigo pequena! Diz Aria.

A menina a reconhece e mostra total confiança.

— A moça do gelo. Diz a menina abraçando-a a forte.

Aria, admirada pela confiança demonstrada pela menina, sorri, agindo imediatamente.

— Vou te levar pra casa. Sobe no meu colo. Acolhe a menina Aria.

Ao se aproximar da casa ela vê a mãe da criança aos prantos, mas ao ver a filha nos braços de Aria um brilho de alívio surge em seus olhos.

Ela solta a menina, e quando a criança já está nos braços da mãe Aria dá as costas e segue embora. A mãe da menina a interrompe.

— Espere! Por favor! Obrigada por salvar minha menina. Desculpe o que disse para você. Salve a vila. Use seu poder. Sei que podes ajudar. Te peço ... Senhora das Águas!

Agora mais intrigada do que nunca, Aria para e volta seu olhar a senhora.

— Onde ouviu isso? Indaga Aria surpresa.

A senhora, visivelmente humilde, responde.

— Ouvi a menina Ariadne dizer. Que não era uma “bruxa”, mas a “Senhora das Águas”. Que um dia seria como você e salvaria alguém. As crianças com sua inocência sabem ler a alma das pessoas. Se ela viu em tua alma a esperança, eu acredito nisso. Eu confio em você.

Os marinas avançam mais e mais e não sucumbem às rústicas ferramentas dos moradores da vila que recuam.

O homem retornando vê que Aria continua no mesmo local que outrora vira.

— Volte menina! Diz ele. Não deverias estar aqui. Eles são muitos. Não conseguiremos vencer.

Aria, certa de que poderia fazer algo, movimenta teus braços e uma cortina de neve varre a entrada da vila em direção aos inimigos.

Os homens viram-se e ao dissipar da nuvem de gelo veem que os “monstros do mar” viraram estátuas de gelo, e uma delas se esfarela diante seus olhos.

Surpresos com o ocorrido olham para Aria e partem ao campo de batalha destruindo as estátuas de gelo restantes. O homem que outrora dissera a Aria que se abrigasse, com um movimento de mão cede a jovem a liderança do grupo.

Um corredor se abre e Aria passa sob o olhar confiante de todos.

— Vamos! Diz o homem. Essa é nossa terra! Temos a Senhora das Águas do nosso lado! Vamos lutar!

Aria levanta a névoa de gelo trecho a trecho, e os homens e jovens destroem a estátuas de gelo.

Os marinas recuam para o mar. Todos retornam felizes com a agradável sensação de vitória.

Aria passa a ser aclamada como “Senhora das Águas” e torna-se amada por todos, contando com a confiança de todas as mães ao brincar com seus filhos.

Por teu feito Atena chega a vila em busca de Aria. Aria parte com a deusa à Atenas.

Na ausência de Aria, apesar da esperança e grande garra dos moradores da vila, esta sucumbe ao segundo ataque de Poseidon, dias depois de sua partida.

Aria, bem longe da vila, sente que algo errado ocorrera a vila. Com a permissão de Atena e acompanhada volta àquelas terras geladas. A vila em destroços tinha apenas três sobreviventes: Ada, sua mãe e Ariadne.

Aria chega perto da fonte, mantida intacta pelos marinas, e apavorada pela devastação causada pelo inimigo ouve uma voz. Olha em volta e descobre vir de uma pilha de escombros próximo dali. A casa de Ada.

— Aria ... Aria ... Aqui! Diz a voz.

Aria vê uma mão ensanguentada movimentando-se em tua direção.

— Senhora das Águas ...

Aria revolve os escombros e vê as três sobreviventes.

— Lutamos ... Diz a senhora. — Resistimos ...  e quase vencemos. Mas do mar veio um demônio. Usava uma armadura amarelada, que só em mexer os braços acabou com tudo. Não tivemos chance contra ele.

A senhora tosse, e o sangue que sai de sua boca mostra seu estado de saúde.

— Consegui me esconder aqui, mas não resistirei ... Cuide de minha filha e de Ariadne. Sua família foi dizimada.

Empenhada em salvar a todos, inclusive a senhora, Aria se levanta.

— Não. A senhora vai viver. Buscarei ajuda. Retruca Aria.

Sabendo de seu destino, interrompe Aria a senhora.

— Não. Não vá. Diz a senhora puxando Aria pelo braço. — É perigoso. Salve as crianças.

A senhora tosse uma última vez.

— Elas são protegidas dos céus, pelas constelações de Cisne e Aquário. Elas são especiais. Cuide delas! Senhora das Águas ... Eu te rogo.

A senhora tem uma taquicardia e suspira.

— Vejo uma jovem de branco. Diz. — Um anjo? Ela pega minha mão ... e toca minha testa. Será um sonho?

Tranquila e certa do que era tal visão sorri Aria, com uma imagem a mente.

— Atena! Conclui Aria. — A senhora está em boas mãos. Está salva.

As meninas olham para Aria com um singelo brilho nos olhos. A confiança estava estampada nos sorrisos de Ada e Ariadne, que apesar da morte ao lado permaneciam calmas.

— Atena! Diz Ada. — Mamãe se foi com Atena.

O espírito de Atena olha para as meninas e sorri, enquanto ascende aos céus com a mãe de Ada.

Ada dá a mão a Aria, que sorri e pega a mão de Ariadne seguindo ao que seria a nova casa das meninas. Sig e Anryu as esperavam. Sig brinca com Ada que a ele sorri. Uma pequena embarcação os aguarda e todos seguem na longa jornada a Atenas. Anryu brinca com maçãs e diverte as meninas. Sig pilota o barco, e Aria a proa pensa no destino e seus artifícios, por vezes cruéis.

DE VOLTA

Os grupos de marinas foram derrotados, e as amazonas, nostálgicas com a história e energia do local estavam felizes pelo reencontro, mas uma forte onda de cosmo varre o continente advinda do mar.

Algo mais reservara aquele dia para o exército de Atena.


A MORTE LIGANDO PARA SEMPRE TRÊS DESTINOS. UMA NOVA CHANCE DE VIDA EM NOME DE ATENA.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Prelúdio - Ato 014 - A técnica selada



As lembranças de Ozir continuam a fluir, seguindo a viagem e narrativa de seu pai Oscar sobre a técnica do controle em Lemuria.

QUINZE ANOS ATRÁS

Tessalian pouco a pouco ia sendo reconstruída ainda num clima bem quente, visto a atividade recente do vulcão. 

Os controles de atividade e temperatura do monte Jutsu apresentavam valores tão baixos como nunca antes visto, e a paz reinava no lugar. 

Oscar e Saulo ajudavam na reconstrução, sempre agraciados com os cuidados das filhas do Sr. Anaor. 

Os gêmeos, dias antes, sentiram o grande poder de controlar até mesmo a lava vulcânica. Apesar do calor e conduzidos por Ankaa, eles treinavam esse “controle” com relativo sucesso. 

Com a reconstrução da província, Ankaa retornou a escola, e Melias as suas funções, deixando Saulo e Oscar sem a oportunidade de descer ao centro do monte Jutsu. 

Em uma noite estrelada Saulo sai e sentar-se a frente de casa para contemplar o céu. Marah se aproxima, e ali fica toda a noite. 

Juntos, Marah e Saulo, olhando o céu entram num tranze profundo, eles sentem cada explosão interna do sol, e cada pulso espacial emanado pelas estrelas. 

Saulo consegue perceber ao menor detalhe da dobra do espaço, sentindo a conexão entre o tempo e o cosmos. Ele experimentaria, guiado pelo suave poder telepático de Marah, algo extraordinário. 

Junto a Marah Saulo sentiu seu corpo atravessar as dobras espaciais, e repentinamente surgem no centro do monte Jutsu. O calor do monte o despertara imediatamente. 

— Opa! Surpreso expressa-se Saulo. — Por que me trouxe aqui, Marah? Indaga. 

Marah sorri. 

— Foi você que nos trouxe aqui. Responde. — Nunca antes estive aqui, mas gostei do lugar. 

Saulo ficou muito surpreso. 

— Mas . . . Se não foi você . . . como?

Marah o abraço, confortando-o. 

— Foi você, com a leveza do teu cosmo. Sorri Marah. — Eu só te deixei livre de pensamentos. O resto você fez tudo. 

Saulo nada entende. 

— Pude sentir o movimento dos astros. Pude ver se abrir uma fenda no espaço, e entrei por ela. Mas, não entendo como vim parar aqui. 

Marah o abraça mais forte. 

— Você queria estar aqui, e construiu em sua mente o destino de sua viagem no espaço. Você pode viajar pelo espaço-tempo agora. É a base de nosso teletransporte, mas nos nascemos com essa capacidade mais aflorada. 

Saulo estava eufórico. 

— Mas . . . como voltamos? Indaga assustado Saulo. 

Marah ri. 

— Fiquemos mais um pouco. Gosto daqui. Aqui pode ser nosso ninho de amor. 

Saulo aprova a ideia, e se concentra novamente. De repente eles surgem no meio do caminho. 

— Opa! Lugar errado. Brinca Saulo. 

Marah se diverte com a inexperiência de Saulo. 

— Com o tempo você melhora, meu amor. Com o tempo você melhora. 

Marah segue a seu lar, e Saulo empolgado não vê a hora de amanhecer para contar a Oscar a novidade. 

O dia amanhece, e em meio ao clima bom do café da manhã na casa de Melias, Saulo conta em silêncio tudo o que lhe ocorrera. Melias percebe algo, mas não sabe definir bem o que. 

— Enigmáticos vocês hoje rapazes. Comenta. 

Oscar ri com a situação. 

— Não liga não. Brica Oscar. — A gente é assim mesmo. Contamos tudo um para o outro com apenas um olhar. Nossa ligação é muito forte. 

Melias balança a cabeça em sinal positivo. 

— Eu percebi. Comenta. 

Encerrado o desjejum Oscar e Saulo agradecem a Katina, como feito diariamente, e partem para o trabalho na vila. 

— Estou ansioso para vê-la, Oscar. Diz Saulo. 

— Eu também. Responde Oscar. — Acabando os telhados de hoje a gente pode ir encontra-las. 

— Certo. Conclui Saulo. 

O dia passa e chega o momento do reencontro. De banho tomado e sorriso no rosto, seguem a casa do Sr. Anaor os gêmeos. 

— Olá rapazes. Cumprimenta Sr. Anaor, na calçada. — Shina e Marah os esperam. Não demorem pois elas devem ir para a cama cedo. Brinca. 

Muito belas saem pelo portão afora as filhas daquele zeloso pai de família. Eles seguem até uma gruta, local preferido das moças na infância, e onde certamente o pai as acharia. 

Para a surpresa de Marah, cada vez mais ligada a Saulo, Oscar indaga a Saulo. 

— O que era aquele espaço diferente por onde você esteve ontem irmão?

Shina, ao lado de Marah sorri, para a maior supreza de Marah. 

— Era um lugar estranho. Comenta Shina. — Parece que eles compreendem agora, de certa forma, a nossa telepatia. 

Marah não compreendia, e sua expressão facial deixava isso claro.  Oscar olha para Shina e sorri. 

— Nossa ligação é muito forte. Até a ligação com meu irmão ela percebe. Comenta Oscar sobre Shina. — Pude até perceber a explosão das galáxias. Completa Oscar sobre a viajem de seu irmão. 

Saulo mostra estranheza. 

— Explosão das galáxias? Diz Saulo curioso. 

Oscar fica meio perplexo. 

— Sim! Responde Oscar. — É muita energia. Senti como se pudesse reuni-la toda em minhas mãos. Mas . . . Será que posso? Sinto que poderia explodir qualquer coisa com essa energia. 

— Por que não tenta? Hahahah. Saulo desafia Oscar. — Tentamos juntos. Arranje-nos uma pedra grande meninas, por favor. 

Shina e Marah por telecinese carregam uma grande pedra e a deixam suspensa no ar, e Shina provoca. 

— Façam com elas suspensa, se forem capazes. 

Saulo e Oscar se olham e riem. 

— Considere feito! Dizem juntos os gêmeos. 

Eles e concentram, elevam seus cosmos, e vasculham o universo a procura da energia de uma explosão galáctica. Duas são achadas, e os guerreiros se conectam a essa grande movimentação de energia, transportando-a pelo espaço tempo até dois pontos distintos da pedra. A pedra em fração de segundos implode formando uma nuvem de poeira. 

Oscar ainda brinca, explodindo pequenos pedaços com a mesma técnica. 

A harmonia entre os gêmeos e as filhas do Sr. Anaor fortalece os cosmos de Oscar e Saulo. 

A província com o tempo vai voltando ao normal e Oscar e Saulo já são considerados como filhos da grande família de Tessalian. 

A bela relação que nascera entre os gêmeos e as filhas do Sr. Anaor era fonte de grande admiração por todos. 

Saulo e Oscar, já mais habilidosos na técnica do transporte pelo espaço tempo, treinavam diariamente no centro do monte Jutsu, agora bem mais calmo. Nesses momentos lá sempre estava Ankaa, enigmático com seu eterno silencia. 

Certa vez ao chegarem ao monte Jutsu não encontraram Ankaa, como era de costume. Eis que surge o menino, e em seguida desaparece, como se chamando-os. Eles o seguem, e surgem numa floresta, a beira de um jardim defronte a uma cachoeira. 

O sol penetrava por entre as árvores, e refletia no espelho d’agua, formado após a queda d'agua, vagarosa e constante. Os pássaros ali eram muitos, e dentre eles um fazia um estranho movimento. 

Saulo observava os olhos de Ankaa, em perfeita harmonia com o que fazia o pássaro, como se o controlasse. Oscar percebe o mesmo. 

— É você que faz isso? Indaga Oscar a Anka. 

— Você o controla Ankaa? Reforça o questionamento Saulo. 

Ankaa sorri, liberta o passarinho, e responde. 

— Sim. Eu o controlo. Assim como o vulcão. É mais difícil porque ele resiste, mas com o tempo fica fácil. 

Os gêmeos se assustam, mas ao mesmo tempo se interessam. 

— Como é isso? Indagam juntos os gêmeos. 

— Vocês são engraçados. Comenta Ankaa. — Falam muita coisa juntos. São boas pessoas. Namorando a Shina e a Marah. Elas são bonitas. Eu gosto da Lubian, mas ela nem olha pra mim. 

Oscar ri, e acaba interrompendo Ankaa. 

— Você fala bastante quando quer, né rapazinho. Brinca Oscar admirado. — A Lubian é muito bonitinha. Combina com você. Vamos fazer um acerto? Eu te ajudo com ela, e você nos ensina como controlar o passarinho. Aceita?

Ankaa para e pensa por poucos segundos. 

— Aceito. Responde o menino. A Marah é amiga da mãe dela. 

Saulo, curioso para saber como Ankaa chegara a tal controle finaliza o assunto. 

— Fechado. Agora explique para a gente como você faz isso. 

Ankaa faz um rosto de tristeza. 

— Não posso! Afirma Ankaa para a surpresa de todos. — Meu pai me proibiu de fazer isso. Faço escondido dele. Se ele souber briga comigo. 

Nesse momento surge Melias, e Ankaa fica com medo. 

— Isso mesmo Ankaa. Enfatiza Melias. — Que bom que você se lembra. Sempre soube que vem para cá, mas desta vez você convidou nossos amigos. 

Saulo e Oscar ficam sem graça. 

— Desculpe-nos. Diz Saulo. — Não queríamos causar problemas. É melhor irmos. 

Melias balança a cabeça, e abraçando Ankaa os impede de ir. 

— Não vão ainda. Afirma Melias. — Há mais essa técnica para aprenderem. Pelo menos tentarem, pois nunca consegui fazê-la. Sem falar que prometeram ajudar Ankaa com Lubian. Não é isso filho? Melias olha para o menino com carinho. 

Ankaa feliz acena que sim. Saulo e Oscar compartilham da felicidade do menino, e Ankaa começa a ensinar a técnica com um pássaro. 

— Você chama a atenção, e integrando-se a ele, assume o controle, impedindo seu livre arbítrio. É uma ordem. Assim. 

O menino faz novamente, e o pássaro faz movimentos aleatórios sem sentido. 

Melias se incomoda com aquilo, e interrompe o controle. 

— Chega disso. Diz. — Deixe o animal livre. Você já explicou como é. 

Oscar e Saulo concordam com Melias. 

— Isso. Diz Saulo. 

— Roubar o direito de escolha não é bom. Completa Oscar. — Já entendemos como funciona. Agora vamos procurar Lubian para você, pequeno Ankaa. 

— Vão mesmo? Ankaa estava surpreso. 

Saulo sorri. 

— Claro! Atende Saulo a euforia do menino. — Você cumpriu sua parte no acordo. 

Melias contata a mente de Saulo e pergunta se é verdade o que ele dissera. Saulo acena que sim

Melias fica impressionado ao ver que pelo olhar de Oscar ele também assimilara a informação. 

O experiente lemuriano transporta todos daquele lugar, e os gêmeos partem para sua missão. 

Uma semana se passa, e Saulo encontra na praça, recém inaugurada em Tessalian, Tyrian e Lubian. Ele brinca com a menina. Oscar a distância aguarda a primeira abordagem de Saulo. 

— Lubian, a pequena alquimista. Sorri, e cumprimenta sua mãe. — Olá senhora Tyrian. 

— Olá Saulo, o novo filho estrangeiro de Lemúria. Saudosamente brinca a lemuriana. 

Saulo sorri, e pensa na frase de Tyrian. 

— Pois é. Situação diferente a minha e do meu irmão. Comenta. 

Oscar se aproxima, e Tyrian, sempre simpática, interage um pouco mais. 

— Como vão os namoros de vocês? Sai casamento? Sorri. 

Saulo sente a pressão de todos, que Mariah já havia lhe comentado. 

— Sai sim, mas tudo a seu tempo. Sorri. — Mas . . . e a nossa pequena alquimista, muitos pretendentes? Brinca Saulo. 

— Poucos. Responde a menina. — Na verdade o menino de quem eu gosto vive mudo, no mundo da lua. Saulo entende ser Ankaa. 

— Humm. Comenta Saulo. — Conheço um menino meio mudo que queria te conhecer, mas você quase nunca aparece. 

Os olhos da menina brilham, e a empolgação de Lubian anima Tyrian. 

— Quem é? Que saber Lubian. 

— Acho que você não conhece. Brinca Oscar. — Ankaa é o seu nome. 

Os olhos da menina brilham ainda mais, e um surpreendente sorriso surge no rosto de Tyrian. Quando Marah surge ao lado de Saulo. 

— Olá Marah. Cumprimenta Tyrian para o susto de Saulo. 

Saulo vê Marah sorridente, e continua a conversa com Lubian. 

— Posso te levar até ele se você quiser, e sua mãe deixar é claro! Diz Saulo. 

Lubian sorri, e prontamente responde. 

— Mas eu sei onde ele fica. 

Saulo põe a mão no queixo pensando na próxima frase, diante de tão perspicaz criança. 

— Posso ir contigo, e fazemos uma surpresa para ele. Propõe. — O que vocês acham? Indaga olhando para a mãe dela. Marah o cutuca. 

Lubian olha para a mãe pedindo um sim. 

— Se Marah for junto pode sim. Responde Tyrian. 

A menina olha para Marah pedindo outro sim. 

— Tudo bem! Responde Marah, e Saulo fecha o acordo. 

— Amanha às dez horas aqui, podemos combinar assim? 

Todos aprovam, e felizes partem por seus caminhos quando Tyrian interrompe. 

— Uma outra coisa . . . Chama a atenção de todos a mãe da menina. — Poderia Rose ir com vocês? Ela fica em casa tempo demais. Precisa de ares novos. Ela os ajudaria a tomar conta de Lubian. 

Marah e Saulo se olham com expressão de pouco conformados. Oscar nem se manifesta. 

—Tudo bem. Responde Marah pelo grupo. 

Tyrian sorri. 

— Obrigado. Sempre soube pelas estrelas que os gêmeos do continente foram enviados por Atena. Sinto que grande são os planos para esses dois belos casais. Saulo e Marah, e Oscar e Shina. Tal como Marah, Shina já estava ao lado de Oscar. 

— Não se preocupe Marah. Continua Tyrian. — Teu amor está escrito nas estrelas. Nas estrelas da constelação de gêmeos, e no mais alto do céu. Serás uma grande mulher ofuscada pela história. E tu Saulo, um grande homem ofuscado por tua consciência. 

O casal ficava tenso com tantas revelações futuras. O clima é quebrado com a chegada da bela Rose, de olhos cor azul turquesa. Todos se impressionaram com a beleza da jovem, da mesma faixa de idade dos dois casais.

Com uma ponta de inveja, reclama Lubian. 

— La vem ela roubar a cena, com seus olhos azul turquesa. 

Rose ri do ciúme da irmã. 

— Para com isso menina. Brinca. — Bom dia Saulo, Marah, Oscar e Shina. Como vão vocês. Cumprimenta a jovem. 

Todos se admiram ainda mais de Rose, e Saulo pensa 

— Uau! Como uma jóia rara como esta fica presa em casa.

Marah percebe a admiração de seu par e fecha o rosto.

Rose ri, e responde. 

— Joia eu? Joia é minha irmãzinha, a maior telepata de Lemúria. Se o futuro me reserva algo bom, não sei. Esperarei para saber com o tempo. Meus dons ainda serão revelados, e os partilharei com alguém. Por ora ainda não surgiu ninguém interessado em meus olhos azuis, assim continuo esperando. 

Saulo fica admirado, pois não havia dito nada, e Marah já estava diferente. Ela olha para ele com semblante amistoso, como se soubesse de tudo. 

— Vejo em você um grande dom, a sabedoria. O mais nobre de todos eles. Será muito bom estar contigo. Comenta Oscar espontaneamente, para o olhar desconfiado de Shina. 

Rose, silenciosa como de costume, com um sinal de cabeça agradece. 

— Precisamos ir. Obrigado Tyrian. Despede-se Saulo. 

— Disponha e obrigado por cuidarem das meninas. Confio em vocês. A gente marca uma conversa. Despede-se a lemuriana. 

Todos retornam as suas casas, e Marah fica pensativa sobre tudo que ouvira de Tyrian. O ofuscamento dito por Tyrian deixa Marah preocupada, e no rosto de Saulo a preocupação era a mesma. 

Chegando em casa Oscar sente o olhar preocupado do irmão. 

— Aconteceu alguma coisa irmão? Investiga Oscar. 

— Não, tudo sobre controle. Escorrega Saulo. 

Saulo decide guardar para si o impacto das revelações ouvidas, e desconversa. 

— A menina topou vir, e Ankaa terá uma bela surpresa. 

— Imagino. Completa Oscar preocupado. 

Saulo lembra-se de Rose, irmã de Lubian. 

— A irmã dela, Rose, tem os olhos mais lindos que eu já vi. Comenta. — Enigmáticos olhos azul turquesa. Creio que esses olhos terão ainda muito a revelar. 

— Tem razão. Completa Oscar. Ela me assusta. E quem Marah e Shina não nos ouçam. Os gêmeos por fim dão boas risadas. 

A noite se fecha, e conectados Marah, Saulo, Oscar e Shina compartilhavam as angustias e verdades daquele longo dia. 

Amanhece, e como combinado às dez horas, se encontram Saulo, Marah, Oscar, Shina com Lubian, e a bela Rose, trazidas por Tyrian.  Confiante na segurança das filhas Tyrian as deixa com os dois casais. 

Olhando os quatro Tyrian fala novamente verdades futuras. 

— Quatro pessoas escolhidas por Atena. Afirma. — Cada qual com seu papel na história futura desta terra. Minhas filhas não poderiam estar em melhores mãos. 

Nesse momento Tyrian vê uma bela mulher de olhos azul turquesa, levando pela mão a deusa Atena. 

— Não sei como. Continua Tyrian. — mas todos conectados por Atena. 

Ela entrega Rose as mãos de Marah e Saulo, e Lubian as mãos de Oscar e Shina. Nenhum dos seis nada entende, e ela segue seu caminho para casa. 

Ankaa chega pelas mãos de Katina, e pode enfim conhecer Lubian, tímido apesar de tudo. Enquanto as crianças brincam juntas, os dois casais ficam cada vez mais admirados com as palavras sábias da jovem Rose. 

ANOS DEPOIS . . . 

O tempo passa e Saulo e Oscar passam a ser considerados ilustres moradores de Lemúria. O barco preparado para a partida só sairia do porto de Casparian muitos e muitos anos depois

Saulo e Oscar em Lemuria fazem residência, e com a autorização do Sr.  Anaor se casam com Marah e Shina, num grande momento de alegria para toda a Tessalian. 

Três anos após as revelações enigmáticas de Tyrian nascem na casa de Oscar e Shina os gêmeos Ozir e Sig, e da união entre Saulo e Marah é concebida Sofia, com o sacrifício da vida da zelosa lemuriana. 

Foi grande a tristeza em toda a Lemúria, mas Marah morrera com um sorriso no rosto, como se recebesse de alguém grande notícia. 

MESES ANTES. 

Em certa noite, em Lemúria, do mais alto céu riscou um grande raio.  Antes mesmo que o choque chegasse ao cume do monte Sagres a luz se dissipa, e um forte cosmo é sentido por todos. 

A luz visita diversas casas, e dentre elas as de Katina, Tyrian, Marah e Shina. 

Durante um sonho feliz, Marah avista uma bela jovem de vestido branco e aura divina. A aura de paz não deixa dúvida, era Atena visitando sua serva. 

Atena, com seu cosmo quente, se dirige a Marah. 

— Marah, a partir de hoje terás uma importante missão. Inicia sua narrativa a deusa. — Darás a luz a Sofia, minha presença física nessa época. Preciso de ti duas atitudes de mãe: Abrir mão de um de teus filhos, e dar a vida pelo outro. Não é hora do nascimento de um deles, e o outro precisava de tua força vital para viver o futuro que o aguarda. 

Marah não sabia o que dizer diante tão dolorosos pedidos. Marah ficou surpresa, pois tratando-se de quem os fez, poderia apenas Atena fazer. 

Atena percebeu a dor da decisão de Marah. 

— Teu filho nascerá em outro momento, e será essencial para o equilíbrio da terra. Afirma Atena. — E tua filha abrigará a minha alma. Ela estará em boas mãos, sob meu olhar até o momento de meu despertar. 

Marah, percebendo a importância de sua decisão, lembrou-se do que te disse Tyrian. Ela já estava certa de tudo. 

— Estavas enganada Tyrian. Afirma Marah. — Não estarei ofuscada, pois Atena está diante mim, e ouve meu SIM. Estou a seu dispor, minha Senhora Atena. Conclui Marah, para o sorriso de Atena. 

— Sabia que podia contar contigo. 

Atena toca o ventre de Marah, e retira uma das crianças. Ela se vai, e ao acordar Marah de nada se lembra, mas sabe apenas que tinha muitos motivos para sorrir, apesar de não saber bem ao certo o porquê. 

Nesta noite Atena visitara muitas casas e pessoas, e anunciaria muitas missões. 

MESES DEPOIS

A pequena Sofia, seus primos Ozir e Sig eram os mais novos habitantes de Lemúria. De sangue misturado, tinham muito a se revelar ao longo do tempo. 

A perda de Marah marcou fundo o coração de Saulo, e apesar do grande cuidado pela menina o coração do valoroso guerreiro havia se fechado para a felicidade.  Ele contava sempre com a ajuda de Rose,

Oscar e Shina, de perto tudo acompanhavam, mas se mantinham afastados do cuidado diário por pedido do próprio Saulo. 

A vida seguia e muitas eram as noites que Rose dormia com Sofia para cuidar das dores e cólicas da menina, e isso havia gerado comentários e boatos maldosos.  Contavam que eles viviam como casal, e Saulo não respeitava o luto por sua esposa. 

Muitos conflitos foram gerados envolvendo as pessoas e Oscar, Shina e a própria Tyrian.  A mãe da moça confiava plenamente na honestidade de Saulo. 

Certo dia Saulo levara Rose em casa, e a agradecia por sua ajuda no portão ao fim da noite, quando alguém passou comentando. 

— Olha só . . . Levando a namoradinha em casa . . . que romântico! Afirma a pessoa de forma taxativa. — O corpo de Marah mal esfriou! E você menina, já devia estava preparando o golpe há tempos, hein … coisa feia! 

Saulo se irritou mais do que o normal. Ser agredido já era rotina, mas a agressão a Rose ele não aceitaria. 

Saulo movimenta o braço, e como uma marionete o homem que o agredia com palavras veio voluntariamente a Saulo. Saulo esmurrava com fúria, e o homem não reagia.  Via-se a expressão de dor que sentia, mas a falta de reação a todos impressionava. 

Rose ficou estarrecida com tudo aquilo, e entrou assustada em casa. 

Oscar de sua casa percebeu a falta de equilíbrio de Saulo, se teletransportando junto a Shina, interrompendo a ação de controle do irmão. O homem cansado caiu, e Saulo se deu conta do que fizera. Via nos olhos de Rose, a porta, a dor e o susto que causara a todos. 

Todos ficaram horrorizados com a cena, e os até então heróis passariam a ser reavaliados por todos. 

Saulo saiu disparado sem rumo, e Oscar saiu em seu rastro. Depois de muito correr Saulo cai, sendo levantado por seu irmão que vinha logo atrás. De repente uma luz os transporta para o belo local onde os gêmeos haviam aprendido o controle total. 

Atena surgia entre eles acompanhada de Ankaa. 

— Sou Atena.  Apresenta-se a deusa. — Vim para confortar teu coração, Saulo, meu valoroso guerreiro. Saiba que a ti sou muito grata. Por sua vida terei vida nessa terra. Por teu zelo serei uma bela jovem, educada e determinada. Por tua decência Rose será honrada e desposada por um lemuriano de valor. Ela gerará importantes pessoas para a minha vitória diante os desafios que me esperam. 

Saulo, em posição de reverencia, estava confuso. Não acreditava no que teu raciocínio lhe impelia a compreender. Ele era o pai de Atena nessa era. Oscar compartilhava da mesma surpresa. 

— Levante-se Saulo. Ordena Atena. — Quero ver teus rostos. 

Os gêmeos levantam-se. 

— Eu os conduzi até aqui. Prossegue Atena. — Vocês escreveram seus destinos, e me deram a oportunidade de escrever também o meu. 

A deusa dirige-se a Oscar. 

— És pai de meus dois mais fieis e poderosos guerreiros no futuro. Declara Atena.  — A eles depositarei minha total confiança. 

Com carinho Atena olha para Saulo. 

— Meu valoroso guerreiro. Atena toca o rosto de Saulo. — A ti confiei a mais dolorosa das missões: ser pai de minha reencarnação nesta época, a custo da vida de sua amada. Agradeço a sua dose sempre alta de amor. 

Saulo entende a morte de sua amada Marah, e sente seu coração respirar mais leve. Um grande fardo de dor saia de suas costas. 

Atena o olha com misericórdia, mas com firmeza. 

— Erraste ao aplicar teus conhecimentos em momento de fúria. Repreende a Saulo, Atena. — Esa técnica está selada por mim, neste momento. Quem ousar utilizá-la sofrerá com minha ira divina. Apenas eu posso permitir seu uso. 

Saulo estava desejoso de se manifestar, mas em respeito a Atena se continha. A deusa percebendo com um gesto o autoriza a falar. 

— Perdoe-me minha Senhora Atena. Redimi-se Saulo. — Faça desse teu servo o que melhor lhe convier. 

A redenção de Saulo agrada Atena, que sorri. 

— Sempre soube de sua fidelidade, Saulo. Afirma Atena. — Não te farei castigo algum. Conhecerás a técnica, junto a Oscar, Melias e Ankaa, mas não a executará. 

Oscar se manifesta com as mãos, pedindo para falar. Atena concede. 

— O que faremos? Indaga preocupado. — De certo não seremos mais bem quistos em Tessalian após tal incidente. Deveríamos partir com nossos filhos?

Séria, Atena olha para Oscar. 

— Vá e leve seus filhos. Reponde Atena. — Seja sábio e eles te responderão a altura. 

Em seguida a deusa dirige-se para Saulo. 

— Vá para Temísia, Saulo. Ordena Atena. — Leve contigo Rose e Sofia. Vocês a criarão no templo do Gran-Conselho. Quando Sofia completar quatorze anos vá para meu templo em Atenas. Organize meu exército para a guerra que virá.  Ela chegará até você aos quinze anos. Em breve estarei contigo, e você se lembrará de meu sorriso em tua filha. 

Saulo estava resignado. 

— Sim, Senhora Atena. Responde. — Da forma que desejar. 

A luz que inundava o local, emanada por Atena, começa a cessar e a deusa profere suas últimas palavras naquele momento. 

— Cumpram suas missões. Ordena. — Não estarão sós. Oscar irá para a Ática, vigiar o mar do paredão costeiro grego. E em seu tempo Saulo irá para meu templo em Atenas. O tempo é favorável, e suas embarcações serão conduzidas por bons ventos ao seu destino. Eis o seu falcão, Oscar. Gentileza de Melias de Tessalian. 

Todos foram transportados a local seguro. 

Os dias passam, e o incidente é esquecido por todos. Era grande a comoção pela partida de Oscar, Shina, Sig e Ozir. 

Os anos passam e Saulo e Oscar pouco se veem. Eles sentem suas energias até certo momento da vida. Em dado momento os fio que une os irmãos aparentemente se rompe, mas os gêmeos velam um pelo outro de Ática e de Lemúria, cumprindo a missão dada por Atena. 

Saulo acompanha passo a passo as vidas de Oscar, Shina, Ozir e Sig. Nas vezes em que a família visita Lemúria.

Resignada a sua missão a família segue sua história atrelada a vida da deusa da Guerra, onde o sorriso do pai é o sorriso do servo, e a do filho é também a de sua Senhora. 

Por ser humano, sem os dons dos lemurianos, Saulo recebe de Atena a técnica da longevidade, quando a jovem Sofia retribui ao seu honrado pai o dom da vida que recebera, por vontade e serviço de Atena. Saulo seria um servo direto da deusa, e importante peça nas lutas vindouras. 

TEMPO PRESENTE. 

Ozir retorna de suas lembranças, conhecedor que toda a sua família serviu Atena como grande dedicação. Não poderia ele falhar. 


O PODER DO CONTROLE TOTAL É REVELADO E SELADO POR ATENA. AS HISTÓRIAS DE FAMÍLIA SE ENTRELAÇAM, E O FUTURO VAI SENDO DESENHADO POUCO A POUCO. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Prelúdio - Ato 013 - O poder do controle


Mais resignado pela consciência da atitude honrada de seu irmão Sig, Ozir mergulha novamente em suas lembranças. Desta vez as lembranças eram mais amargas.

Ozir recordava da técnica secreta ensinada por seu pai Oscar, semanas antes de tua morte. Uma técnica selada por Atena, por ele e seu irmão Sig nunca realizada em respeito a ordem dada por seu pai.

Ozir lembra-se de teu irmão e de teu pai. As alegres lembranças dos últimos momentos são misturadas a tristeza da perda.

QUATRO ANOS ATRÁS

Oscar após tão prodigiosa ação de seus filhos diante de Chris de Crysaor, resolve ensiná-los a técnica que aprendera e aperfeiçoara ao longo da vida. As feridas ainda que tratadas, sinalizava a Oscar que seus dias restantes na Terra eram curtos.

Sig sabia da importância da lição que aprenderia, mas temia pela morte pai, e pelo grande choque que a perda traria a Ozir.

Acompanhado de perto por Jéssica, a quem tinha como filha, Oscar insistia em levantar e acompanhar o treinamento dos filhos coordenados por Maia. Ela fazia um bom trabalho, mas Oscar tinha planos mais ousados para seus filhos.

Numa manhã Oscar se levanta bem cedo, antes mesmo de Jéssica que velava seu sono. Oscar esperava a chegada dos seus filhos, e de Maia. Ele estaria dispensando-a do treinamento a partir daquele momento.

Oscar é recebido por Ozir e Sig com a euforia do primeiro, e preocupação do segundo.

— Bom dia crianças! Cumprimenta Oscar.  — Serei a partir de hoje o mestre do treinamento de vocês.

— Que bom papai. Comemora Ozir.

Oscar olha para Sig e vê nele a expressão séria de um velho sábio.

— Tudo bem meu filho? Dirige-se Oscar o menino. — Por que esse ar tão sério?

O menino olha profundamente nos olhos do pai e não muda de expressão.

— Deveria estar descansando, Pai. Firme responde Sig. — Precisa se recuperar.

Oscar sorri, e bagunça o cabelo do filho.

— Não se preocupe meu filho. Comenta Oscar. — Não morrerei antes de contar-lhes um antigo segredo.

O semblante de Oscar muda, e transparece uma grande tristeza.

— Um segredo que custou minha separação de meu irmão.

Oscar respira fundo e busca energia para prosseguir.

— Segredo que por Atena afastou de mim seu tio, o mais forte de nós dois.

Ozir olha para Sig como se conhecesse a história por Oscar narrada.

— Como Sig e Eu ... Pensa Ozir. — Mas não permitirei que Sig morra. Terei que ser mais forte que ele. Mais forte que meu pai.

Oscar vê Ozir pensativo olhando para o irmão.

— Ozir ... Ozir ... Chama Oscar. — Acorda rapaz!

O pai então entende a herança de sua família refletida em seus dois filhos.  O legado da constelação de Gêmeos. Segundos depois é Oscar que fica pensativo.

— Ozir e Sig ... Pensa Oscar.  — Como eu e Saulo ... Mas eu sei que tal destino não se repetirá.  Eu sei disso.

A viagem a longínquas lembranças por Oscar é interrompida com a agitação das crianças. Cada um puxando por um braço, tentavam Ozir e Sig trazer o pai de volta a realidade.

Oscar se lembra de quando mais velho que os meninos aprendera algo valioso para o resto de sua vida.  Ele volta a si decidido do que faria em seguida

— Meninos. Preparem-se.  Amanhã nosso treinamento será em Lemúria, no monte Jutsu. Partiremos na primeira hora.

— Tessalian? Juntos perguntam os meninos. — É muito quente. Reclama Sig.  — E o monte Jutsu dá medo. Comenta Ozir.

Oscar acha graça da reclamação das crianças.

— Então preparem-se! Afirma.  — A partir de amanhã, nossa caminhada será longa.

Oscar sai, e sinaliza a Maia que inicie o treinamento daquele dia. Maia ensinava o domínio do cosmo sobre os objetos.

Com o novo dia uma nova parte da história do poder de gêmeos seria contada. Sig e Ozir estavam atentos. Oscar não pouparia detalhes.

QUINZE ANOS ATRÁS

Em Lemúria, Tessalian é a província mais afastada.  A ilha foi projetada de forma concêntrica ao redor do monte Jutsu. A ocupação em torno da montanha devia-se ao calor do vulcão de baixa atividade, fonte de energia da ilha.

Com o passar dos séculos novas províncias foram sendo formadas e a população se afastando para o litoral, onde passaram a explorar outras fontes de energia como o vento, a força dos rios, e o quebrar das ondas.

Com a migração uma pequena porção da população passou a habitar próximo ao monte Jutsu, e em homenagem a uma velha senhora de duzentos e dezoito anos que falecera deu-se ao local o nome de Tessalian a província do monte Jutsu.

A tecnologia de utilização do calor do vulcão era considerada obsoleta por todos, mas era satisfatória àquela população cálida como o vulcão que ali ardia.

Certa vez os medidores de temperatura do monte mostraram um valor preocupante, mas esperado por todos. A fúria do monte Jutsu já era prevista.

Melias, o Mestre Alquimista da província tranquilizou a todos, e garantiu que ficariam seguros se o pior acontecesse.

Melias vai ao encontro de Assis de Casparian, Gran-Mestre para tratar da situação, e conhece dois jovens vindos do continente. Uma tempestade no mar os obrigaram a atracar em Lemúria, uma ilha até então desconhecida por ambos.

Saudoso da chegada de Melias, e preocupado com a situação de Tessalian, Assis prontamente atende seu colega Mestre Alquimista.

— Seja benvindo, Melias de Tessalian! Saúda Assis.  

Melias retibui a saudação muito curioso com os dois estranhos de igual aparência, algo nunca visto em Lemúria.

— Oh! Desculpe a indelicadeza! Lamenta o Gran-Mestre. — Conheça Saulo e Oscar, moradores do continente, que com prazer recebemos em nossa ilha.

O olhar de estranheza de Melias chama a atenção de Saulo.

— Olá. Mas por que nos olha assim? É nossa aparência? Saulo tinha percebido a mesma reação de Assis, mas discreta.

Melias percebe sua indiscrição.

— Desculpe. Estou sendo deselegante. Sejam benvindos a Lemúria. Mas me permitam um comentário.

Saulo e Oscar se olham como numa transmissão de pensamento, e com uma saudação autorizam as palavras de Melias.

— Nunca vi gêmeos antes. Comenta Melias. — Não há gêmeos em nossa ilha.  Apenas havia ouvido falar.

Os gêmeos acham estranho.

— No “continente”,  como vocês dizem, acontece de vez em quando. E numa família de gêmeos há a forte tendência de haver descendentes também gêmeos.

Melias estava confuso, e a dúvida estava desenhada em seu rosto.

— Soubemos que tem problemas em sua província. Comenta Oscar. — Teremos prazer em ajudar no que for possível. Teremos que esperar o mar se acalmar mesmo.

Melias se empolga com a oferta.

— Aceitamos, o povo de Tessalian agradece.

A presença dos dois estranhos jovens atuou como uma injeção de ânimo a Melias. Essa mudança é percebida por Assis.

— Creio que nosso assunto já começa a se resolver Melias. Pondera Assis.

Melias sorri.

— Por hora sim, Gran-Mestre. Responde Melias.

O lemuriano lembra-se da cabana onde moraram seus pais, hoje fechada.

— Gran-Mestre, nossos visitantes já possuem abrigo?

Assis de Casparian sorri.

— Não, mas tenho certeza que há em Lemúria um local bem aquecido para recebê-los.

Melias agradece a confiança.

— De certo que sim. Comenta Melias. — Será um prazer recebe-los em nossa província. O calor do monte Jutsu os manterá aquecidos.

A frase engraçada traz a tona muitos risos, um excelente remédio àquele clima tenso.

Oscar e Saulo percebendo o momento entendem estarem incomodando a audiência entre os lemurianos se manifestam.

— Creio que veio ter uma audiência com o Gran-Mestre, Melias. Diz Saulo. — Não queremos ser inconvenientes, podemos aguardar lá fora.  Aproveitamos para conhecer o local, se assim nos permitirem.

Imediatamente o Gran-Mestre os interrompe.

— Absolutamente! Quebra o silêncio. — Nos acompanhe e ajude-nos em nosso problema. Quatro cabeças pensam melhor que duas.

Novamente todos riem, naquele momento descontraído.

— Não se preocupem. Completa Melias. — Terão oportunidade de conhecer a ilha. Além disso do monte Jutsu é possível visualizar toda a ilha e oceano ao redor. Saberão das condições do mar, e do momento propício de suas partidas.

Saulo e Oscar, juntos sinalizam positivamente.

— Então está certo! Afirmam juntos os gêmeos.

O Gran-Mestre aponta a frente e todos seguem a salão do sacerdote maior.

As portas da sala se abrem, e dois novos assentos surgem no local. Saulo e Oscar se olham admirados enquanto Melias ri.

— Poder telepático. Explica Melias. — Habilidade inata dos nascidos em Lemúria.

Saulo e Oscar estavam encantados.

— Fascinante! Comenta Oscar. — Nunca antes havia visto.

O Gran-Mestre aponta a todos os seus assentos. Todos sentados prossegue Assis de Casparian.

— Melias, relate-nos a atual situação de Tessalian. Tua visita me preocupa. Pondera Assis.

— Certamente. Inicia Melias. — Os medidores registraram grande aumento de temperatura e pressão no monte Jutsu. A província está tranquila, mas o perigo nos ronda.

Assis atento percebe que o momento por ele imaginado infelizmente chegara.

— A situação é crítica, mas tenho certeza que temos uma chance. Estou certo Melias? Comenta Assis.

Os visitantes ficam curiosos com a frase solta no ar. Melias percebe e me manifesta.

— Sim, Gran-Mestre. Responde Melias. — Saulo e Oscar, lhes mostrarei algo, e gostaria que isso fosse bem utilizado pelas gerações futuras. É uma antiga técnica que tem seu momento de chegar ao mundo.

Saulo e Oscar se olham ainda mais curiosos.

— Seguiremos para Tessalian, e lá saberão mais do que falo. Conclui Melias.

O dia chega ao fim e o crepúsculo inunda a bela ilha de Lemúria com seu explendor.

Melias, Saulo e Oscar seguem para Tessalian, enquanto o barco dos visitantes era preparado para zarpar assim que se firmasse o bom tempo.

A caminhada longa era compensada pela exuberante paisagem, e na proporção que se aproximava de Tessalian, o calor só aumentava. Oscar e Saulo estranharam tal alta temperatura, visto serem nativos do litoral onde os ventos são generosos.

Chegada a província os visitantes sentiram-se em casa. O local apesar de pequeno era aconchegante, e o calor humano era maior que o do vulcão.

O vulcão causava leves tremores de terra, mas os moradores do local pareciam estar acostumados.

Melias levou Saulo e Oscar para sua casa, onde seria servido o jantar. O lemuriano tinha uma família pequena, sua esposa Katina e seu filho Ankaa.

Oscar achou o nome Ankaa interessante, e apesar de tentar não se conteve.

— Ankaa ... Belo nome. Comenta Oscar. — Teria associação com a estrela? É um nome exótico!

Melias ri.

— Sim. Responde. — Vejo que conhece dos mistérios do céu.

Oscar acha engraçado a surpresa de Melias. Para ele o céu era um território livre, sensação apenas compartilhada com seu irmão Saulo.

— É mesmo. Comenta Oscar. — Não sei o porquê, mas para mim o céu é como um grande pergaminho. Eu o leio tranquilamente. Sempre foi assim, não é Saulo?

Saulo ri, e confirma.

Melias pensa por um instante.

— Talvez seja um dom. Comenta. — Um dom especial.
Saulo, que de seu lugar observava entra na conversa.

— Creio que sim. Um dom passado de geração em geração. Nosso pai falava de locais muito além do espaço que conhecemos. Todos achavam ele louco.

Melias ri.

— É sempre assim. Concorda Melias. — É mais fácil chamar de louco. Mas ... vou lhes mostrar onde ficarão.  A casa é antiga mas é boa. Pertenceu a meus pais. Espero que fiquem confortáveis lá.

Saulo e Oscar trocam olhares de cumplicidade.

— Não se preocupe. Dizem juntos os gêmeos.

Todos os riem da situação.

— Acontece sempre. Diz Saulo.

— Mas ...  A recepção carinhosa é o mais importante. Diz Oscar. — Espero poder retornar aqui um dia.

Melias fica feliz com a disposição de Oscar.

— Voltem quando quiserem. Diz. — Pessoas de bem são sempre bem vindas aqui. Te deixarei um falcão de fogo. Essa espécie de ave é típica daqui, e sabe voltar para casa tal como nenhuma outra ave. Será meu presente a vocês, amigos. Vamos ver a casa.

Os homens saem para a citada casa, a uns duzentos metros de distância. Muito ali podia-se ver aos pés do vulcão, mas dois detalhes chamaram a atenção de Saulo e Oscar. Eram duas jovens mulheres muito belas, na porta de uma das casas no caminho.

Melias percebe o interesse dos visitantes e ri.

— Gostam das meninas. Brinca . — Parece que elas também gostaram. Mais tarde vocês conversam com elas. 

A casa era aconchegante e Melias já ia preparando tudo para noite dos visitantes. Os lençóis limpos e a falta de poeira mostravam o zelo que tinha Melias pela casa.

Tudo pronto eles retornam, quando Melias desvia seu caminho e segue a casa onde outrora estavam as belas moças. Oscar e Saulo param, tentando imaginar o que faria melias. Tempos depois sai Melias cumprimentando um senhor de idade, provavelmente o pai das jovens.

Melias começa a sair discretamente, mas não se contem.

— Elas jantarão conosco.  Informa. — Poderão conversar.

Oscar e Saulo se entreolham, felizes e ao mesmo tempo assustados.

— Como? Saulo estava confuso.

— Sério mesmo? Completa Oscar.

Melias se diverte com a situação romântica.

— Sim. Responde. — Elas sempre jantam conosco. São muito amigas de Katina. Mas tenham cuidado, elas são tímidas e ainda muito jovens. Não quero ter problemas com o pai delas.

Felizes com tal novidade, prontamente se posicionam os interessados visitantes.

— Pode deixar. Diz Oscar.  

— Ficará tudo bem.  Completa Saulo.

Chegando em casa Melias conta a Katina a novidade.

— Eu já previa,  e está tudo certo. Comenta a lemuriana.

Ela olha para os visitantes.

— O olhar enfático de vocês a parte só poderia significar duas coisas: Marah e Shina. Comenta Katina.

Todos riem.  A situação parecia um alento a problemática por qual passava a província.

Os jovens tomam um lanche descontraído com a feliz família.

Saulo e Oscar retornam a casa onde pousariam em Lemúria, olhando a casa tão florida pelas jovens lemurianas. Marah e Shina aparecem na janela, sorriem mas logo entram.

Horas depois, arrumados para a ocasião, adentram a casa de Melias os visitantes levados pelo pequeno ankaa. À sala a surpresa: lá já estavam as jovens, atrativos dos olhares de Saulo e Oscar.

Melias apresenta a todos oficialmente, e uma boa conversa se inicia. Como irmãos, muito entrosados, Oscar se interessa por Shina e Saulo por Marah.

O jantar é servido e muito sobre Saulo, Oscar, Marah e Shina é contado.  As afinidades são confirmadas, e os casais pareciam ser escolhidos por Atena.

Chegada a noite Oscar e Saulo seguem para seu descanso, pois no dia seguinte teriam bastante trabalho. Eles acompanham Marah e Shina até suas casas e cumprimentam o sorridente Sr.  Anaor, que parecia ter agradado dos pretendentes as suas filhas.

As horas passam e a noite corre tranquila, quando um tremor sacode a província. Os tremores eram considerados normais, mas Melias, Saulo e Oscar não pensavam assim. Eles saem respectivamente,  e percebem o porque de serem soldados de Atena.

Eles seguem até a casa com os medidores e os valores estavam a ponto de extrapolar o limite que causou a grande catástrofe de cento e dezoito anos atrás. Melias olha fixamente para Saulo e Oscar e movimenta seu braço diante os dois.

CENTO E DEZOITO ANOS ATRÁS

A ilha de Lemúria já tinha parte do seu território ocupado devido a busca dos habitantes por condições de vida com menos riscos.  Apesar disso, o centro da ilha abrigava a capital do governo, motivo de muita honra para seus moradores.

Certo dia durante a madrugada grandes quantidades de fumaça, cinzas e poeira pairavam no ar.  As pessoas estavam se intoxicando com tal poluição e desciam para as regiões mais ao litoral.

Os mestres alquimistas tentavam em vão conter a fúria do vulcão.  A população orientada a sair as províncias mais abaixo saiam sem nada nas mãos, sendo recebidas pelas demais províncias.

Em meio a tantos voluntários uma pessoa se destacava, uma senhora de mais ou menos cento e cinquenta anos, que sempre ficava à cadeira de balanço a admirar todos que passavam se revelara. D. Tessalia demonstrou possuir um poder telepático incomum.

Ela teletransportava grande grupos com extrema facilidade. Pouco a apouco ela transportou a todos da província enquanto os alquimistas tentavam conter a fúria do monte Jutsu.

Em um dado momento o vulcão entrou em completa erupção, e vendo descer grandes quantidades de lava e pedras a senhora reuniu os bravos mestres alquimistas e os enviou a local seguro. Já sem forças, esgotada por transportar centenas de pessoas, elas cede ao cansaço e é tomada pela lava que descia.

Em local seguro Nemias, líder de todo aquele povo, e representante na província no Gran-Conselho, tenta em vão achar D. Tessalia para transportá-la. A conclusão era unânime: D. Tessalia perecera diante o poder do monte Jutsu.

Muitos foram os estragos, principalmente nas instalações do Gran-Conselho. Por isso, com decisão com apenas voto contrário, a sede do governo de Lemúria seria transferida para Casparian a mais nova província da ilha.

Ao povo do local foi um grande choque, e a decisão por alguns fora comemorada, mas para uma parte menor foi tida como traição.

A província que tinha a condição de capital de governo perdera sua identidade, mas devido a fibra e força de D. Tessália passou a chamar Tessalian.

As filhas da senhora, tristes com sua irreparável perda resolveram mudar-se para Temísia. Posteriormente o Gran-Conselho construiria uma sede definitiva nessa província.

A forma de poder telepático de D. Tessalia correu Lemúria, e da sua linhagem sanguínea nasceram as maiores telepatas que a ilha já vira.

Da data da catástrofe ocorrida em diante, as relações entre Tessalian e o Gran-Conselho eram restritas, e a província desenvolveria sistemas cada vez mais modernos de sinalização e alerta de erupções no monte Jutsu. A tecnologia desenvolvida fora adaptada por outras províncias para uso de suas fontes geradoras de energia.

Tessalian, apesar de um berço de modernidade era mal vista por todos, devido a rejeição dos que lá ficaram pelos do que de lá saíram por medo.

DE VOLTA ...

Oscar e Saulo retornam da viagem que fizeram por intermédio de Melias. Eles ficaram apavorados com o que viram, como se tivessem vivenciado.

— Mas ... Inicia Saulo. — Que catástrofe! Completa Oscar.

Saulo fica pensativo nos instantes que pareceram cem anos.

— Como?! Ele não entendia como sentiu tudo aquilo. — É habilidade de um Lemuriano inserir lembranças? Inserir o passado?

Melias aguardava por tal dúvida, pois sabia serem Saulo e Oscar pessoas especiais.

— Não! Afirma. — É uma técnica especial passada de pai para filho. Um dia Ankaa saberá, mas não se preocupem, pois lhes confiarei esse segredo. Não teriam passado por essa experiência se não fosse por essa técnica. Vamos nos atentar ao vulcão por agora.

O vulcão começava a dar sinais de entraria em erupção, e um novo tremor de terra sacode desta vez toda Lemúria. A ilha acordava.

Repentinamente surgem na província os mais poderosos telepatas da ilha, Dentre eles Tyrian, a filha mais nova de D. Tessalia. A população começou a ser removida telepaticamente, pois não havia tempo para retirada normal. Temiam pela vida das pessoas para evitar danos maiores como ocorrera anos atrás. 

Era grande o esforço, quando uma forte onda telepática pousa em Tessalian. Era a pequena Lubian, filha de Tyrian.

Tyrian olha para a menina.

— Lubian, te disse para ficar em casa! Por que você me desobedece?

A pequena impetuosa não abaixa a cabeça.

— Eu quero ajudar mãe! Deixa! Seu sei que serei mais útil aqui do que lá.

Tyrian balança a cabeça, conformada.

— Agora já está aqui! Comenta. — Então faça o que tanto quer fazer.  Agora eu quero ver se é tudo que o que você acha que é!

Lubian sorri, e começa a transportar sem esforço muitas pessoas. Os mestres alquimistas começavam a ficar cansados, e olhavam para Tyrian em sinal de aprovação. Tyrian retorna a confiança e sinaliza positivamente. Eles passaram a agrupar as famílias em grandes grupos, e Lubian os transportava facilmente.

Enquanto as pessoas eram transportadas, Melias, Saulo, Oscar e um grupo de mestres alquimistas esperava a reação do monte. O vulcão começava a soltar cinzas e grandes pedras rolavam morro abaixo. Saulo estava preocupado com Marah e Shina, mas as vê partir para local seguro.

Saulo e Oscar explodiam grandes pedras, quando Melias os chama.

— Venham! É hora de entender tudo. Afirma.

Eles seguem Melias que entra por uma gruta por trás da base do monte. Melias transporta a todos para uma região mais ao centro do vulcão. Era grande o calor, quase insuportável. Em meio a eles aparece Ankaa.

— O que você faz aqui menino? Admirado indaga Saulo. — Isso aqui é muito quente! Completa Oscar.

Melias ri e olha para o filho.

— Esse é o quintal dele. Responde Melias para o espanto dos dois.

Melias olha para Ankaa, que segue para o meio de uma piscina de lava. Saulo e Oscar ficam apavorados, mas antes que falem se surpreendem.

— Mostre a eles Ankaa. Diz Melias.

O menino cria uma camada de cosmo sobre a palma da mão, e por todo o seu corpo. Ele aumenta o borbulhar da poça de lava, e em seguida a resfria.

— Mas ... como?! Oscar estava impressionado.

Melias faz o mesmo que seu filho, mas em muito menos tempo.

— É a força do comando! Afirma Melias. — Eu comando e a lava obedece.  Eu me integro ao vulcão. Integro minha cosmoenergia com a energia da lava. Nos tornamos um só.

Oscar e Saulo se olham e começam a entender o que fazia Melias ali.

— Você vai ... Começa Oscar. 

— Parar o vulcão? Completa Saulo.

Melias ri e sinaliza positivamente com a cabeça.

— Vocês sempre se completam, que curioso. Hahaha. Melias descontrai o momento tenso. — Agora vocês compreendem. Vou ordenar para ele pare de uma única vez. Todo o vulcão. Mas para isso é preciso esperar a hora certa. O calor limite para a erupção. Venho há anos esperando por esse momento. É a missão maior de minha vida, de cero dada por Atena, cuidar das pessoas de minha morada.

Melias olha para os gêmeos e começa a levitá-los.

— Não é seguro para vocês aqui. Afirma Melias. — Eu e Ankaa ficaremos bem. Conectem seus cosmos aos nossos, e poderão compreender muito mais.

Contra a vontade dos gêmeos eles surgem do lado de fora.

— Droga! Exalta-se Saulo.  — Vamos ajudar aos outros.

Oscar concorda. Chegando diante do pé do morro encontrava-se ali Assis, o Gran-Mestre.

— Ele está lá? Assis estava esperançoso. — É nossa única esperança.

— Sim. Responde Oscar. — Ele conseguirá!

As pedras que desciam eram cada vez maiores, e algumas eram apenas desviadas das casas. Oscar e Saulo continuavam na linha de frente diminuindo as maiores, e facilitando o trabalho da linha de soldados mais atrás.

Num dado momento um pulso de cosmo foi sentido por todos, incluindo Saulo e Oscar. O vulcão enfim acordara plenamente.

No centro do vulcão Melias manda Ankaa de volta, sob o protesto do menino. Ele surge ao lado de Saulo.

— Cuide dele por mim. Diz uma voz diretamente a mente de Oscar.

— Pode deixar. Responde.

O olhar de todos a Oscar e Saulo os colocava, naquele momento como dois novos habitantes de Lemúria.

Conectados mentalmente todos podiam saber dos pensamentos de Melias.

— Agora vulcão! Dizia Melias.  — Somos um só, meu cosmo e sua energia. Eu posso sentir sua fúria. Acalme-se Jutsu.

Um novo tremor de proporções ainda maiores ocorre e muitos caem.

De repente uma nuvem de poeira sobe sobre o Gran-Mestre. Ela se dissipa, e podia-se ver Saulo de punho cerrado, e mais atrás Oscar que amparava Assis de Casparian. Os gêmeos não se distraíram com o grande tremor.

Um novo pulso de energia surge, ainda mais forte, e nas mentes ouvia-se o brado de Melias.

— Acalme-se Jutsu!

A atividade sísmica cessa, e em poucos minutos a nuvem de cinzas parcialmente se dissipa, podendo-se ser ao longe Melias caído nos braços de Ankaa ao lado de Assis de Casparian.

Tyrian e Lubian, que insistira em ficar vem ao encontro de pai e filho, que após saudação ao Gran-Mestre os leva até Casparian, onde localizava-se o melhor centro médico da ilha.

Os mestres lemurianos e demais alquimistas começavam a limpar os caminhos das grandes pedras que desceram morro abaixo, mas Oscar e Saulo tinham outras preocupações.

— Para onde foram levadas as pessoas? Apreensivo indaga Oscar.

— Para outra província. Responde Assis. — Mas exatamente a quem vocês se referem? Seriam Shina e Marah?

— Sim. Responde Saulo envergonhado.

Assis ri.

— Não se preocupem. Elas estão a salvo. Responde. — Os levarei até elas.

Em Temísia Oscar se apressa em encontrar Shina, e a vê junto a sua irmã metros a frente. Ao avistá-los as moças sorriem e acenam. Os visitantes se aproximam, e Oscar ganha de Shina um caloroso abraço.

— Fiquei preocupada com você. Não te vi. Diz a lemuriana ao pé do ouvido. — Que bom que está bem.

Marah parecia mais tímida, assim como Saulo. Mas a emoção falou mais alto e Saulo recebe um abraço ainda mais forte que o de Oscar.

— Pensei que tinha te perdido. Diz Marah baixinho. — Você salvou minha província.

Marah sai do abraço e olha com muito respeito para seu pai.

Saulo dá a mão a Marah, e passando por Oscar o arrasta junto a Shina. Os casais seguem até o Sr. Anaor.

— Sr. Anaor! Chama a atenção, Saulo. — Eu, Saulo e meu irmão Oscar estamos interessados em suas filhas. Gostaríamos de poder visitá-las.

Saulo cutuca Oscar.

— Sim, Sr. Anaor. Envergonhado manifesta-se Oscar. — Queremos nos comprometer com tuas filhas. Sabemos que não é a melhor hora, mas ...

O pai das moças sorri.

— Não se preocupem. Responde Sr. Anaor. — Há tempos esperava dois homens de valor para desposar minhas filhas. Não imaginei que viessem de fora, mas se elas gostam de vocês que assim seja. Tem minha permissão.  A propósito, como chegaram aqui.

Saulo e Oscar ficam sem jeito, pois não pensaram em como retornariam, visto nem saberem como voltar para casa.

— Vocês tem família no continente? Curioso, indaga Sr. Anaor. 

— Não temos. Responde Oscar. — Somos pescadores, apenas isso.

Melias surge por detrás de todos.

— Se desejarem ficar a casa continua a disposição. Comenta, para o susto dos gêmeos.

Assis bate no ombro de Melias e o cumprimenta com um caloroso abraço.

— Creio que temos uma dívida contigo, Melias. Lemúria deve a seu esforço. Gostaria de selar a paz entre Lemúria e Tessalian pelo incidente de hoje. E o que o vulcão antes separou, possa trinta anos depois novamente juntar.

Melias e Assis cumprimentam-se longamente, e em meio ao sorriso dos casais e de todos os ali presentes, a paz ali selada unifica novamente Lemúria.

Tyrian observando o gesto de Melias e Assis lembra-se de sua mãe, e imagina que há mais de trinta anos atrás D. Tessalia não queria a desunião.  Ela resolve retornar a seu local de origem em memória de sua mãe. Elas retornariam a Tessalian, e muito se desenvolveria a partir desse retorno. 

A TÉCNICA SELADA COMEÇA A SER NARRADA. O PODER DO CONTROLE QUE UNE, MAS TAMBÉM PODE SER FATAL.