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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Ato 20 – O fio das duas espadas


A noite chega, e plenamente instalado na casa de Mia, Noir e Boni, que insistiam que ficasse no quarto das meninas nos dias que ficasse na Vila, Donni saiu para uma caminhada à noite. Ele aguardava o sinal para seu próximo destino.

Mia, muito curiosa com as andanças de Donni, numa corrida se coloca passos atrás do guerreiro de Atena seguindo-o.

– Não tem sono minha Mia? lndaga Donni, virando-se para trás.

– Hoje ainda não. Responde a Menina. – Estou animada em talvez ser uma andarilha. Vou pedir a Antena essa missão.

Donni ri.

– Soube de sua habilidade de ocultar sua presença e cosmo. Comenta. – Teu pai me contou.

– É mesmo. Confirma Mia. – A Anna pediu eu fiz, só isso.

 No céu o brilho se faz presente

– Olhe! Chama atenção Mia. – Estrela cadente. Deve ser seu novo destino. Não é para lá que você disse que é o Santuário de Atena.

Donni estava admirado pela percepção e raciocínio da menina

– Exatamente. Confirma Donni. – Meu destino é a casa de Atena.

– Legal. Comenta Mia. – Queria ir contigo, posso? 

 Donni bagunça o cabelo da Mia e ri.

– Não pode ainda. Responde. – Quando chegar lá, se for desejo de Atena, mandarei te buscar.

Mia ficou empolgada

– Eu vou. Comenta. – Acho que por agora Atena quer que eu durma. Não demore hein.

– Pode deixar. Responde Donni entrando a brincadeira da menina. – Está com sono?

– Não. Responde Mia. -Tem alguma história para contar?

A espontaneidade da menina entrete Donni.

– Sim. Responde. – Em minhas viagens às terras lá para as águas do Oceano Atlântico, eu conheci alguém chamado Sallas.

TERRAS DO OCEANO ATLÂNTICO - DOIS MESES ANTES

Donni seguia para terras expoente mais ao norte do Oceano Atlântico. Onde um homem chamado Sallas era conhecido como herói, subjugando os inimigos pelo fio de sua espada.

Aquelas terras eram marcadas pelo conhecimento da forja da espada e seu uso. 

Sallas eram um espadachim inato, mestre da forja de lâminas mortais, e cidadão respeitado em sua terra.

Ele correra o mundo em busca do conhecimento sobre espadas. Era considerado um autoridade onde a justiça era medida pelo fio de espadas.

A flecha do arqueiro dos céus levara Donni ao encontro desse homem, e de sua história contra as criaturas vindas do mar.

Recém-chegado a vila da Ávila, Donni ouvia aqui e acolá estórias dos grandes feitos do herói local. Sobre como ele expulsara os soldados e comandantes marinas de volta para o mar.

Mas de todas as histórias uma lhe pareceu mais interessante: As espadas forjadas pelo sangue e pela alma dos inocentes.

Contava um aldeão a Donni a estória da forja pelo mestre do mestre de Sallas, da espada banhada pelo sangue de cem inocentes levados pela sangrenta batalha contra os bárbaros vindos do centro do grande território.

Dizia a lenda que a espada brigava em vermelho a cada corte, e dizimou todo o exército inimigo quando blandida pelo guerreiro escolhido por ela, o avô do menino que quando homem teve medo de usá-la e a quebrou.

UM ANO ANTES

A espada cortava qualquer coisa na terra, e houve época que sequer se via a mesma ainda empunhada. Assim lutava Eli, um orgulhoso guerreiro que treinara também um prodígio vindo do mediterrâneo em busca de conhecimento, veloz, mas não muito afeito lâminas. Eli ensinara a muitos, mas para seu filho Sallas seu orgulho foi um grande obstáculo.

O talento inato do garoto se sobrepunha ao esforço do árduo aprendizado, desde a forja das lâminas perfeitas ao seu manejo. O esforço e trabalho contínuo eram necessários a forja de um guerreiro, e assim rezava a filosofia do mestre Eli. O rápido crescimento de Sallas nas artes das espadas não se aplicava a essa regra, e o mesmo era cada dia mais rejeitado pelo mestre.

Em sua Juventude Sallas forjara “Al Ghur” após seu retorno das terras médias no oceano Índico (atual Mongólia). Sua busca por outros mestres compensava certa ausência. Mas Al Ghur não era a lâmina perfeita, apesar de nunca ter falhado diante de um inimigo.

As andanças de Sallas faziam dele um filho perdido das terras dos mestres da lendária espada do Espírito Rubro.

Após o retorno de mais uma de suas longas jornadas por conhecimento, Sallas encontra o mestre Eli, já debilitado pela idade avançada, à sua espera.

– Que bom que retornou meu filho. Saúda Eli a Sallas que adentra os aposentos do seu pai. – Tenho assuntos a tratar contigo antes da minha morte.

A relação distanciada pelo destino tornava o momento ainda mais difícil a Sallas

– Estou aqui meu pai. Responde Sallas. – Creio que não temos muito tempo para tudo que precisa ser dito. Desculpe a ausência. Precisava encontrar meu caminho, minha espada.

– E encontrou o que procurava Sallas?

– Não meu pai. Responde Sallas. – Aprendi muito, mas ainda tenho uma grande ausência.

– Imagino. Confirma Eli. – A espada rubra sem nome, forjada é carregada pela linhagem da família, agora é sua. Será meu legado a você.

Sallas esperava por essa revelação, mas não tinha certeza de como reagir.

– Não sei se é minha. Responde. – Nunca a empunhei. Sequer a vi ao detalhe. Minha é Al Guhr, a espada forjada pelo espírito da luta dos guerreiros de outras terras, que me cederam seu fio.

Eli retrucou com a cabeça.

– Não. A espada precisa de um nome. É seu legado reforjá-la com seu espírito de luta. O guerreiro nascido pronto para o combate. O último portador da lâmina das cem almas. Não poderá rejeitar esse fardo.

Eli aponta para o canto do cômodo uma bainha com uma espada.

– Pegue essa espada incompleta. Prossegue vagarosamente Eli, visto sua debilidade. – Tentei forjá-la para você por toda vida. Tú que és mestre da forja, o mestre dos mestres como seu avô. Termine sua espada com prova de meu amor inacabado por você. Prepare-se para receber e nomear a espada rubra sem nome.

Sallas na cabeceira do Pai sente os últimos momentos do mestre de grandes guerreiros pelo mundo, mas que não fora seu mestre.

– Farei como ordenaste, meu pai. Responde. – Te devo.

Ele respira bem fundo, recuperando talvez as últimas energias.

– Perdoe-me pelo meu orgulho. Manifesta Eli. – Errei ao ausentar-me e permitir que buscasse outros mestres a mim. Errei ao julgá-lo inapto por sua habilidade especial. Errei a negar seu dom. Demorei a perceber que eras o guerreiro ao qual falara meu pai, e procurei em todos aquilo que me foi dado por um presente. O dom que me pouparia as forças, e honraria a espada sem nome.

Sallas chorava por seu pai, o que fizera apenas quando menino.

– Sabes onde encontrá-la, meu filho. Diz Eli, apertando forte a mão, e se despedindo.

Passadas horas, Sallas sai da casa do seu pai, para o olhar constermado de todos. Ele segue para forja do mestre com sua espada inacabada, e passa a madrugada trabalhando.

Pela manhã era grande a expectativa. Fazia meses que da forja não saia nada, mas parecia que das mãos do novo mestre ferreiro isso mudaria.

Sallas sai com uma roupa de couro cru que lhe cruza o peito, com cinco pinos de metal que reforçavam os ombros. O peito e a cintura de um colete que guardava nas costas uma grande bainha de metal para três espadas.

Nas costas estava Al Ghur, nas mãos de Sallas uma uma espada de brilho azulado que ele colocara a esquerda, permitindo ao centro a inserção de uma nova espada.

Ele se dirige ao memorial da vila. Local que recebia a todos com a estátua de Atena, e guardava encravada numa bainha de pedra a espada rubra sem nome.

Todos aguardavam a prova do portador da espada, visto que nenhum homem além de Eli e antes de Elaor a empunharam. Sallas adentra o pequeno salão, e minutos e depois sai com a espada na mão colocando lá no centro da bainha de Ferro. A espada lendária tinha novo mestre.

Admirados todos contemplavam o momento, quebrado pelo alarme local. Novamente as criaturas do mar invadiam pelo litoral. A espada rubra brilhou, e parecia ser a hora do combate.

Pelo litoral, homens com vestes alaranjadas caminhavam gerando medo a todos. Sallas com Al Ghur fatia, e devido ao seu grande número de inimigos ele também utiliza “Anima” com a mão esquerda.

Quando tudo parecia solucionado surge um guerreiro infinitamente mais forte. Com vestes brilhantes, e uma lança dourada se apresenta o guerreiro marina a Sallas.

– Sou Chris, o gigante Chrisaor. Guardião das águas quentes do oceano Índico. Servo do Senhor dos mares, Poseidon. Há muito se luta por essas terras, mas agora isso acabou. O portador da espada sem nome morreu e nada mais irá se opor em meu caminho.

Sallas sinaliza que não.

– A espada sem nome tem novo portador. Retruca. – E este não permitirá sua passagem.

Chris ri.

– O nômade voltou de sua jornada? Ironiza. – Interessante. A espada sem nome está perdida.

Sallas com um movimento de mão convida Chrisaor para a luta.

– O filho dessa terra voltou. Responde. – Agora que tal provar sua teoria.

Chris movimenta sua lança e diversas investidas de corte são interceptadas por Al Ghur, e refutadas pela lâmina. Um dos cortes finais passa pelo cabelo de Sallas, mostrando a medida do fio da lança do marina.

– Preciso tomar cuidado. Pensa Sallas.

Com as espadas em punho, e a lendária espada na bainha, ele desvia dos ataques de Chris, mas não contra-ataca.

Sallas sente Al Ghur perder seu brilho, e logo depois trincar.

– Quebrei sua espada guerreiro. Zomba Chris. – Quebrei seu espírito de luta. Será que alma de seu pai na espada inacabada resistirá?

Sallas como bom espadachin, e já conhecedor dos fundamentos da lança do adversário prepara sua investida.

Ele desembainha a espada lendária, e embainha a trincada Al Ghur. Anime permanece imóvel.

Chris nada entende.

– O que pretende? Indaga o Marina. – Pretende apenas se defender? Esse será seu grande erro. Arrogante como o pai. Morrerá pelas minhas mãos.

Chris inicia o ataque com sua lança, mas é repelido e atacado ao mesmo tempo. Visualmente Sallas não se movera, mas o marina já conhecia a técnica.

– Parece que aprendeu pelo menos isso com seu pai. Comenta. – Vejamos quanto tempo aguenta a alma de Eli. Contra minha escama, e as cem almas contra minha lança que corta tudo com seu fio.

– O que está esperando, marina. Retruca Sallas.

Os guerreiros reiniciam a luta, e o empate era inevitável, quando a espada rubra se inflama em vermelho, e convida Sallas a usá-la como ataque.

O guerreiro tinha medo de usar seu fio, e decepciona as cento e duas almas que morreram por ela. Sallas sente um ardor especial, e a espada rubra brilha diferente. Era seu avô Elaor que o convocara a queimar seu espírito de luta.

Sallas guarda Anima, que rachara na bainha, queima seu cosmo, e ao blandir a espada lendária estremece a terra e assusta Chris.

– Essa é Excalibur, a lendária espada rubra que não tinha nome. Afirma o guerreiro de Atena. – A começar por você, todos conhecerão o espírito das mais de cem almas que por ela, e junto a ela deram a vida.

O general marina cessa o ataque entorpecido pela luz vermelha emanada pela agora “Excalibur”.

Sallas empunha Excalibur e a prepara para um movimento de corte diagonal de sua posição, inflamando seu cosmo novamente.

– Corte, espada sagrada. Pede Sallas. – Seu humilde portador a pede. Eu aceito o legado, e junto a ti o meu espírito.

Sallas desfere o golpe e Chris, tentando defender com sua lança, é arremessado de volta ao mar.

A poderosa lança é quebrada em duas partes. Com sua lança quebrada, sua escama rachada da ombreira a bota, e o torax cortado, não havia nada que pudesse o marina fazer a não ser recuar.

Sallas vê o inimigo sumir nas águas do mar, e cai de joelhos apoiado na espada esgotado.

No chão encontra fragmentos de Al Ghu e Anima, e tocando a lâmina se corta. O sangue que cai é incorporado a Excalibur, e a mente do espadachim vem uma nova missão.

Ele arranca parte do couro do colete, e recolhe os fragmentos das espadas, que ressoam brilhantemente prateada e azulada.

Sallas chega a vila, e vai direto para a forja. Preocupados os moradores levam alimentos para o mestre espadachim, pois sabiam que seria mais um longo dia.

O calor da forja era grande, e o sangue dos cortes que descia, soma-se aos pedaços de Al Ghur e Anima. Ao fim nascia da forja “Durandal”.

Terminada a missão, Sallas esfria a forja, fato que não ocorria há anos, desde a morte de Alaor. Ele se alimenta e descansa.

Na manhã seguinte Sallas passa em sua casa, e tempo depois sai com as duas espadas ao memorial onde é guardada Excalibur. Ele cria um novo entalhe na pedra, e uma nova bainha recebe Durandal.

As espadas ressoam e uma jovem de aura clara e vestido branco surge diante Sallas.

– Sallas de Avila, filho de Eli, neto de Eloar, portador da lendária espada rubra Excalibur. O último e definitivo guerreiro da espada das cem almas. Proclama Atena. – Sou Atena, a deusa da Sabedoria e Guerra Justa, e vim conceder a ti uma honraria em atenção a seu compromisso a paz na Terra.

Atena retira Excalibur e a empunha. Ela toca o ombro de Sallas, que estava ajoelhado em reverência, com a lâmina deitada.

– Eu te consagro a Excalibur. Proclama Atena. – A lâmina perfeita que será parte de você, enquanto queimar seu cosmo para o bem da Terra. O portador e a espada que se tornaram uma arma única.

Nesse momento a espada rubra desaparece, e Durandal assume seu lugar, no topo da pedra.

– Nesse Memorial as almas dos mais de cem guerreiros mortos em batalhas permanecem em Durandal, a ser portado pelos jovens guerreiros eleitos, de geração em geração. Narra Atena.

A deusa toca a pedra, e após um brilho intenso surge na bainha de pedra entalhe registrando: “Aqui esteve Excalibur, que jaz no cosmo do último portador da lâmina”. Abaixo da inscrição marcada fica entalhada um selo de Atena.

A cor rubra tão presente na antiga espada sem nome passa para a lâmina de Durandal, retornando o brilho característico daquele memorial de pedra.

A deusa levanta Sallas, e dissipando sua luz do jeito que chegou, deixa sua mensagem final.

– As forças de Poseidon estão ativas, e em breve terás uma missão. Conclui Atena. – Aguarde o mensageiro.

– Sim Atena, aguardarei. Responde Sallas.

No dia seguinte todos souberam do decreto de Atena no Memorial das cem almas de Ávila, com Durandal como a nova espada rubra.

O tempo avançou e Sallas convocou os jovens para o ensino as técnicas da forja e do manuseio da espada, visando formar novos mestres e espadachins. Assim as cem almas poderiam escolher o portador de Durandal.

ÁVILA – DUAS SEMANAS DEPOIS

Donni caminhava pela vila de Ávila. Quando chega a forja, lá se via diversos jovens fazendo espadas.

– Seja bem-vindo, visitante. Saúda Sallas. – Desculpe os maus modos, mas hoje é dia da forja. Só sairá daqui quem forjar uma boa espada.

– Interessante o rigor dessa aula. Comenta Donni. – Posso me juntar a eles?

– Certamente. Responde Sallas. – Mas a regra é a mesma pra você.

Donni confirma com a cabeça, e Sallas lhe indica o local para trabalhar.

Com relativa facilidade Donni domina o metal, e algumas horas depois, ajusta o fio e finaliza a empunhadura, entregando a espada ao mestre da forja.

Sallas avalia a arte de seu novo aluno e se surpreende.

– Muito bom! Elogia o mestre. – A quem devo parabenizar?

– Donni, o Andarilho. Responde o aluno visitante.

– O mensageiro de Atena, eu suponho? Indaga Sallas para confirmação de Donni.

– Poderia ajuda-los dessa vez? É tarde.

Sallas ri.

– Sim, desta vez! Responde.

Donni ajuda a todos, trazendo muito do que aprendera com sua família.

Com a finalização da última espada, Sallas e Donni poderiam enfim se acertar.

– Atena pede sua presença no Santuário em construção em Atenas, sua fortaleza nessa guerra. Começa Donni.

– Sim. Responde Sallas. – Mas não poderei ir agora. Preciso cumprir outra missão dada por Atena: encontrar o portador de Durandal, e criar a linhagem de Mestres Espadachins.

– Hummm. Donni estava pensativo. – Se precisar de ajuda nessas tarefas ... Pelo menos posso forjar uma boa espada.

Todos riem.

– Oferta aceita. Responde Sallas. – Assim que possível partiremos, e creio que você para outro lugar na Terra.

– Acredito que sim. Confirma Donni, para o riso de todos.

Passado um mês partiram todos, com o arqueiro do céu indicando a Donni, um certas terras na zona do mar Mediterrâneo.

DE VOLTA A VILA DO MEDITERRÂNEO

Mia estava atenta, e não perdera nenhum detalhe da estória contada por Donni, mas estava cansada.

– Agora vou dormir. Comenta a menina, sorrindo. – Obrigado. Mas uma pergunta? Sallas foi ao encontro de Atena?

– Sim. Responde Sallas. – Ele seguiu seu destino, como seguirei o meu em breve, e você o seu.

Bocejando Mia se levanta.

– Eu também. Quero ser guerreira de Atena como você. Boa Noite!

Enquanto a menina entra um novo brilho destaca no céu. Donni já tinha sua nova missão. Mia à porta vira o ceu, e ao olhar para Donni encontra um sorriso no andarilho.

– Te vejo no Santuário de Atena. Brinca a menina.

Donni ri.

– Sim. Comenta. – Mas nos vemos no café da manhã antes.

O dia seguinte seria o recomeço, brindado pelo amor daquela família.


DESCORTINA-SE A HISTÓRIA DO GUERREIRO E SUAS ESPADAS. SALLAS, O HONRADO POR ATENA, SEGUE PARA O SANTUÁRIO, E O ANDARILHO PARA SUA NOVA JORNADA.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Ato 019 – O Andarilho


Acompanhando a distância tudo que se passava nas terra do mar Mediterrâneo, estava um poderoso guerreiro, que se mantinha oculto.

Com o fim do confronto o brilho de Anna voluntariamente reluz e leva Teneo e Noir a um velho casebre no fim da vila, que todos acreditavam estar abandonada.

A porta Noir gentilmente bate, e para a surpresa de todos a porta é aberta aos visitantes.

Envolto numa capa com capuz estava um homem de pele escura, que ao revelar seu rosto convida todos a entrar.

O estranho da vila se despe da capa e se mostra um homem fisicamente atlético, jovem, e de pele mais escura, algo incomum àquelas terras.

— Sou Donni, o Andarilho. Se apresenta o estranho. — Fui chamado por Atena a ser seu mensageiro a correndo o mundo em busca de valorosos guerreiros que receberam o chamado da deusa.

— Então é um guerreiro de Atena! Resmunga Teneo. — Então como não sentimos sua presença?

— O sétimo sentido. Responde Donni. — Pude ocultar minha presença através do potencial desse nível de poder. A pequena Mia também o fez, mas isso é nativo da constelação guardiã dela.

— Então está recrutando guerreiros? Indaga Noir.

Donni sinaliza que não.

— Não estou recrutando, meu caro Noir. Responde. — Estou convocando os guerreiros recrutados por Atena para se unir a ela em seu santuário em construção nesse momento.

Teneo estava curioso.

— Santuário? Uma construção desse porte deveria ser notada por todos. Onde ela está?

Donni sorri.

— Bem perto de vocês. Responde. — Em Atenas, mas toda a movimentação está oculta pelo cosmo de Atena. Seu poder máximo será atingido em breve, com sua chegada em pouco mais de um ano. Precisamos de sua participação.

Teneo sinaliza negativamente.

— Não posso deixar esse povo. Retruca. — Não cessarão os ataques, e a último de tão forte quase custou minha vida.

— Não se preocupe Teneo, o Touro guardião. Tranquiliza Donni. — Kraig de Cavalo Marinho não mais retornará. Haverá uma batalha final a ser definida pelos deuses, e apenas nesse momento vocês se enfrentarão novamente.

O guerreiro misterioso olha carinhosamente para Mia, dirigindo em seguida palavras a Teneo.

— Seu trabalho aqui está terminado. Prossegue a narrativa Donni. — Os guerreiros daqui poderão cuidar dos futuros ataques, liderados por Noir, e em breve Atena visitará Mia, pelo seu poder de restrição dar a esse lugar proteção equivalente a seu cosmo, Teneo, e proporcional as ameças que virão.

Ele se volta para Noir.

— Você, Noir, concluirá o treinamento dos moradores, e receberá a prova de minhas palavras. Presenciará a visita de Atena a sua filha.

Teneo, ainda desconfiado com as muitas verdades proferidas pelo recém descoberto Donni estava pensativo.

— Como podemos confiar em você. Indaga o guerreiro de Atena. — Diga-nos pelo menos quem guia sua jornada, Andarilho.

Donni sorri.

— O arqueiro dos céus me aponta meu destino. Responde.

— Sagitário, eu suponho. Comenta Teneo. —

Teneo inflama se cosmo e desafia Donni, O guerreiro da pele negra inflama seu cosmo, e prepara um arco de energia com uma flecha armada para o disparo. Teneo olha profundamente para seu então adversário e apaga seu espírito de luta. A flecha do arco e Donni também se dissipa.

— Partiremos Eu e Anna a Atena após a visita de Atena a casa de Noir. Decide Teneo. — Preciso me certificar da segurança desse lugar.

— Correto. Comenta Donni. — Digno do protetor dessas terras. Creio que minha missão aqui está encerrada.

— Para onde irá agora, Andarilho. Indaga Teneo.

— Ainda não sei, mas creio que Sagitário me dirá essa noite.

Os guerreiros de Atena se saúdam com um forte aperto de mão.

— Siga em paz com Atena. Deseja Teneo. — Se precisa do Touro Guardião, sei que Atena providenciará a minha chegada.

Todos se despedem, e os visitantes do casebre deixam seu novo morador, quando Teneo retorna o olhar.

— Venha a minha casa essa noite. Convida o Touro. — Anna cozinha bem, e a pesca voltou a ser farta. Conheça nossa verdadeira hospitalidade. Creio que já conhece o caminho.

Doni sorri.

— Convite aceito, mas precisarei de algo. Comenta. — Minhas roupas não estão a altura.

— Não se preocupe. Responde Noir. — Venha a nossa casa e terá roupas novas. Leve as que traz contigo, e cuidaremos delas se assim desejar. Não creio que viaje amanhã tão cedo.

— Obrigado! Donni estava surpreso. — Não sairei tão rápido assim. Creio que tudo ficará acertado, como previsto.

— Previsto? Mia estava curiosa.

— Sim. Responde Donni. — Posso fazer previsões, e geralmente elas se concretizam. Está tudo escrito nas estrelas.

— Eu sei. Concorda Mia, inocentemente.

— Agora vamos de uma vez. Encaminha Teneo. — Nosso visitante precisa e privacidade.

Com a saída de todos, o guerreiro de Sagitário se apressa em tomar banho, e vestir sua melhor roupa. Em suas viagens a lugares quase desertos, e outros bem menos hospitaleiros, não lhe era permitido cuidar tão bem dos seus trajes.

No caminho para cada Teneo convida também Noir para a confraternização com o novo amigo em Atena, e emenda.

— Não creio que essa confraternização atrapalhará os planos de Atena.

Todos riem.

— Certamente. Concorda Noir ao adendo de Teneo. — Levaremos uma sobremesa.

— Combinado. Confirma Anna, olhando com cumplicidade para seu pai.

Passadas algumas horas, bate a porta de Noir, Donni. A pele escura do visitante esperado surpreende Boni, esposa de Noir que chega a sala recepcionada por Mia.

— Boa noite, Senhora. Cumprimenta Donni.

— Boa noite. Responde Boni. — Deve ser Donni, o Andarilho, de quem falaram Noir e Mia.

— Sim, a seu dispor. Retribui Donni a hospitalidade.

Boni sinaliza a Donni que entre.

— Fique a vontade. Mia te levará até Noir. Creio que sairemos juntos ao jantar na casa de Teneo.

— Creio que sim. Responde ainda confuso, Donni, visto a hospitalidade por ele ainda nunca vista.

— Depois venha a cozinha. Continua Boni. — Venha provar a sobremesa e dar sua opinião.

— Certo. Responde o visitante ainda mais surpreso.

Como combinado ele foi a cozinha e provou um delicioso bolo de frutas.

— Muito Bom. Aprova Donni, para o sorriso de Boni e Mia que esperavam pela opinião.

— Amanhã cuidaremos de suas roupas, e tenha certeza que Noir terá algumas peças para contribuir a sua próxima jornada. Contina Boni.


— Obrigado. Responde Donni.

Todos se encaminham para a casa de Teneo, e o visitantes de Noir deixa a todos curiosos.

— Esse é meu amigo Donni, que veio nos ajudar em nome de Atena. Dizia Noir a todos.

A reação era positiva, pois se veio por Atena, então vinha em paz.

— Seja bem vindo.

— Vamos pescar amanhã?

— Está com Noir, podemos te arrumar um casebre.

Eram as reações de acolhida de todos que recebiam o agradecimento emocionado de Donni.

Chegado a casa de Teneo, era perceptível a mudança no semblante sério do servidor de Atena para um a de um homem comum, raro com toda a tensão provocada pelos recentes ataques do exército de Poseidon.

Muito se comeu e onfraternizou, com estórias e grandes façanhas em nome de Atena.

Curiosas as meninas perguntavam sobre a origem de Donni, assunto ainda não abordado por respeito ao visitante.

— Meninas, não sejam inconvenientes. Retruca Boni. — Nosso amigo não precisa contar sua vida.

— Desculpem. Dizem as meninas juntas.

Donni sorri, achando engraçado a curiosidade de todos, declarada pelas crianças.

— Tudo bem. Responde Donni. — Era a minha vez de contar estórias mesmo.

Ele começa a contar sua estória a uma plateia de servos de Atena, cenário que não lhe fazia restrições.


EXTREMO SUL O GRANDE CONTINENTE AO CENTRO – DEZESSETE ANOS ATRÁS

Era a noite e Amaia dava à luz a seu primeiro filho. O primogênito do líder dos guerreiros dos Zimbabus.

Grande era expectativa, pois ele sucederia seu pai na liderança do seu povo Guerreiro é vencedor de todas as batalhas empreendidas em nome dos deuses.

A criança, chamada de Zimbu, nascera com porte mediano, abaixo do esperado pelos guerreiros com pouca aptidão ás artes da guerra, logo ele foi esquecido por todos até o momento que começara a fazer previsões mais certeiras que  o líder espiritual da tribo,   e parecia falar com as estrelas.

 A semelhança ao Xamã incomodava alguns, mas não é seu pai, que vinha nele algo especial e único.

SEIS MESES ANTES

O tempo passou e Zimbu aos dezoito anos foi consagrado assistente do livro espiritual da ilha, pois sempre previa fatos de forma certeira, incluindo nas batalhas.  Seu irmão Kuará, lider dos querreiros comemoravam especialmente com seu irmão suas previsões de glórias para seu povo.

Certo dia que foi previsto por Zimbu derrota na próxima batalha contra tribo que invadira o território dos Zimbabus. Ninguém acreditar nessas palavras, mas havia mais a ouvir que fora ignorado por Kuará.  Uma aura de luz salvaria a todos no momento final.

Os invasores tinham aspectos diferentes, como peixes, sua presença afetara a pesca, limitando a tribo a caça que começara a ficar escassa.

Kuara liderava o grande ataque, mas com poderes mágicos saindo das mãos e lanças o exército de Zimbabus precisava bater em retirada. Com a ferida de morte em Kuará eles se retiraram.

No centro da tribo o Xamã nada pode fazer, quando ao tocar o irmão Zimbu brilhou e Kuara retornou a vida.

Impetuoso Kuara, novamente prepara o exército para novo confronto ignorando novamente as previsões de Zimbu, incluindo o desfecho outrora não ouvido.

O ataque surpresa e violento faz efeito, mas enquanto se comemorava uma energia esmagadora surge do mar.  Era uma criatura vestida de armadura laranja, que em segundos dizimou a todos.

 A besta caminha em direção a Kuara e pressionando seu crânio, se apresenta.

—  Sou Kraig, o Cavalo Marinho, General Marina do Senhor Poseidon, novo soberano dessas terras. Elas agora fazem parte dos domínios do mar.

Kuara se debate e lembra do irmão, que tentaram lhe contar algo.

— Um irmão! Comenta Kraig absorvendo os pensamentos de Kuara. — Um irmão especial …

Zimbu percebe a angústia do irmão, e vê todos mortos. Revoltado com tudo aquilo ele brilha como uma estrela.

— Não!  Esbraveja Zimbu

Sua luz parte como uma lança em direção ao campo de batalha atingindo em cheio Kraig, que é expulso quilômetros Mar Adentro. Com sua escama parcialmente quebrada, o Cavalo Marinho sabia de quem se tratava aquele cosmo: um guerreiro de Atenas.

Por hora Kraig retornou ao templo submarino, mas voltaria aquele lugar.

Em terra todos estavam muito assustados com a manifestação do poder de Zimbu.

— Ele nos salvou. Diziam alguns.

— É um demônio! Acusavam outros.

Zimbu não mais sabia o que fazer. Sua previsão se cumprira, e foi ele a luz, mas não salvara sequer seu irmão.

Ele caminha até a praia acompanhado por alguns, vê o corpo do irmão e chora. Sua mão afasta a todos, tornando particular aquele momento de despedida.

Zimbu chorava, quando um homem e uma jovem envolta de luz surgem diante de seus olhos.

— Olá Zimbu. Saúda a jovem. — Sou Atena, a deusa da Sabedoria em Guerra Justa, e preciso de seu poder para libertar outros povos do domínio de Poseidon, o Senhor dos Mares.

A deusa toca em Kuara e faz sua alma flutuar junto a ela.

— Seu irmão está bem ao meu lado. Tranquiliza Atena. — Ajuda-nos. Seu poder vem da constelação de Sagitário, És um dos meus escolhidos, venha.

Zimbu olha para sua mãe ali presente, vai até ela e se despede. Ela reconhece a paz na aura de Atena.  e abençoa a partida do seu filho.

— Irei com você confirma Zinbu. Ele olha para o homem que acompanha Atena, que se apresenta.

— Sou Oscar, guerreiro da constelação de Gêmeos.  Precisamos encontrar nossos guerreiros pelo mundo, e reuni-los no Santuário da nossa deusa a ser construído em Atenas. Precisamos que se torne o Peregrino, que correrá o mundo em nome de Atena. Atena irá atender a ser chamado sempre que localizar um novo guerreiro,

— Eu aceito a missão de Atena. Responde Zimbu. — Mas não poderei mais ser mais Zimbu, pois abandonarei meu povo

— Você deve se chamar Donni, o Andarilho. Afirma Oscar.

— Que assim seja em nome de Atena.


TEMPO PRESENTE

— E assim eu saí pelo mundo em minha missão. Completa Donni.

As meninas estavam empolgadas com a história de Donni.

—  Já pensou: eu andarilha em nome de Atena. Comenta Mia para o riso de todos.

— Eu tenho certeza que sua missão será tão eficiente quanto a minha é hoje. Comenta Donni. — Mas estou cansado, aguardarei meu momento.

Donni, o Andarilho estava em paz, em família como a muito tempo não ocorrera. E no dia todos seguiram para suas missões pelo mundo.


O ANDARILHO DO EXÉRCITO DE ATENA CUMPRI MAIS UMA MISSÃO, E AO ABRIR SEU CORAÇÃO A UMA FAMÍLIA REVELA MAIS UMA HISTÓRIA DO EXÉRCITO DA DEUSA.

sábado, 3 de março de 2018

Ato 018 – O brilho que desperta


Eram tempos difíceis, e a Terra (Sekai) sofria com os conflitos entre moradores e invasores vindos as águas de todas as partes do mundo. Dentre as áreas com protetores específicos havia as terras que margeavam o mar Mediterrâneo.

As hordas de marinas que adentravam o território eram repelidas por um imponente guerreiro, e seu nome era Teneo.

Ele aprendera a técnica da espada desembainhada que reúne ataque e defesa numa única prática. Sua velocidade era impressionante, e essa habilidade parecia ter sido herdada por sua filha Anna, e com a morte de Maria os laços de pai e filha só fizeram aumentar.

Anna acompanhava seu pai nos treinamentos que ele promovia junto aos moradores locais, mas não participava, pois Teneo não queria envolvê-la naquela guerra em curso sem previsão de final. Silenciosa ela observava e aprendia a teoria de tudo que era ensinado, e praticava em outros momentos escondida do pai.

Certo momento em meio ao treinamento de rotina, Mia, filha de artesãos de pesca locais, que acompanhava seus pais em tudo, demonstra a olhos mais apurados possuir habilidade especial. Teneo já havia ensinado sobre o cosmo e seu domínio, mas nem mesmo dentre os jovens rapazes (a maioria dos presentes) havia sido demonstrado tal desempenho naquele grupo.

Noir ficou muito feliz, pois sua filha poderia servir a Atena no futuro e ajudá-la a vencer aquela terrível guerra, mas Anna ficou triste. Ela estava ali há mais tempo que Mia, e ainda não havia conseguido avançar em direção a seu sonho de seguir os passos de seu pai como defensora das pessoas em nome de Atena.

Foi um breve lampejo de cosmo, mas forte o suficiente para a percepção de Teneo e Noir, um dos últimos sábios do local. Teneo ao olhar o semblante triste da filha percebeu que sua filha também tinha sentido o cosmo, mas isso não lhe causou espanto, pois sabia do seu potencial. O guerreiro considerava sua esposa Maria uma guerreira ainda mais formidável que ele, mas em outras circunstancias ela desaparecera da vila. O despertar do poder de Anna gerava a preocupação do pai, que prometera a si mesmo não lidar com mais perdas.

Mas o brilho do cosmo de Mia não foi percebido apenas por eles. Um outro alguém, um pouco mais distante, havia sentido o despertar da jovem.

Findo o treinamento, já era quase noite, quando os alertas de invasão foram soados. Era o sinal que novos monstros do mar chegaram a vila.

Todos se recolheram, e os homens e mulheres do campo de treinamento se prepararam para cobrir a retaguarda de Teneo, que novamente enfrentaria os guerreiros das águas. No time, cheia de confiança, estava Mia. Apesar do protesto de Noir, ele e Teneo não rejeitaram sua presença, mas o pai da jovem estava atento.

Próximo a barragem de pedra que separava o mar do continente estava Teneo, que percebe que a energia que chegava desta vez era muito mais intensa do que as vindas anteriormente. Temeroso pelo possível destino de todos, em caso de falha sua, ele sinaliza ao mensageiro o recolhimento do grupo de apoio. Ele enfrentaria sozinho o novo inimigo e o venceria, ainda que isso lhe custasse a vida.

O grande cosmoenergia se materializa, e uma armadura alaranjada trazia grande destaque. O guerreiro parecia ser de uma classe mais alta, ainda não vista por Teneo.

— Ora, ora. Comenta o visitante. — Deve ser aquele que tem posto medo em meus soldados. Teu cosmo me diz isso.

— Sou aquele que tem expulsado os invasores, só isso. Retruca o guerreiro de Atena — Sou Teneo. O guerreiro da armadura alanjadada tem nome?

O adversário de Teneo ri.

— Sou Kraig de Cavalo Marinho, General Marina guardião do Oceano Pacífico Norte, Elite do exército do Senhor dos Mares, Poseidon. Responde. — A “armadura alaranjada” chama-se “Escama’, a veste sagrada dos guerreiros guardiões do império dos mares. E contra mim você não tem a menor chance.

Teneo balança a cabeça em sinal negativo.

— Não subestime seu adversário, General Marina. Retruca. Não te ensinaram isso?

Teneo assume a posição de Iai, reunindo ataque e defesa, e em segundos Kraig é impactado a alguns metros para trás de sua posição. Na ótica de Kraig Teneo não saiu do lugar.

— Olha só. Ironiza Kraig. — Parece que tenho um adversário de valor e bem veloz. Mas ... é só isso?

— Estou apenas aquecendo. Brinca Teneo.

Surge no local mais uma energia, e o marina também percebe. Ele caminha para além de Teneo, que nada entende. Há alguns metros a frente Kraig com um movimento de mão derruba uma parede de pedra, e expõe quem atrás dela se escondia, a jovem Mia.

Mia aquece seu cosmo como há momentos atrás no treinamento, mas Kraig a pega pelo braço levantando-a e se divertindo.

A jovem sente o ar fluindo em sua volta, quando tudo cessa, e ela cai no chão. Ela se levanta e ao seu lado estava Anna. Ela parecia ter bloqueado a técnica do general marina. Teneo também estava no outro lado, mas Anna conseguira ser ainda mais rápida que seu pai.

— Ora, ora. Eis que surge o brilho que me chamou nesse lugar. Comenta o marina. — Venho aqui exclusivamente em busca desse cosmo. Meu Senhor Poseidon tem grande interesse nesse potencial.

— Mas não está disponível! Afirma Teneo que recua, afasta as jovens, empurra Kraig para trás e volta a estar frente a frente com o guerreiro de Poseidon.

O cosmo de Anna ainda resplandecia, e sua aura brilhava tal qual o touro furioso que partia de Teneo e o negro corvo mortal que outrora voava sob aquelas águas.

— E nossa luta nem começou. Comenta Teneo. — Esqueceu-se de seu adversário, por acaso?

Kraig ri.

— Não vim lutar. Responde. — Vim levar esse brilho para meu Senhor.

— Se for só isso, não será hoje. Firme retruca o guerreiro de Atena.

Teneo se posiciona, mas Kraig lhe viras as costas e segue de volta ao mar.

— Esse brilho será de meu Senhor! Decidido, informa o marina. — Retornarei em momento oportuno.

— Aguardarei seu retorno. Responde Teneo. — Estarei aqui.

O general marina volta ao mar, e Teneo fica pensativo sobre os planos de Poseidon para sua jovem.

Anna, agora em segurança, estava feliz por despertar a centelha do cosmo tão ensinada por seu pai, e tão treinada as escondidas. O que ela não entendia era o interesse de Kraig no poder de Mia, como lhe pareceu.

Teneu e Noir, que acabara de chegar, compartilhavam da preocupação de Anna com Mia, e estavam prontos para protegê-las a qualquer custo.

Passado algum tempo, novamente pairavam notícia ruins sobre a vila as margens do mar Mediterrâneo. Mia havia desaparecido sem rastros. A presença dos guerreiros do mar não foi registrada, e além da tristeza havia o mistério.

Teneo estava preocupado, pois acreditava saber o nome do responsável por aquele desaparecimento, e sua verdadeira intensão.

O guerreiro de Atena se concentra tentando localizar o cosmo da filha de sua filha, e o encontra no mesmo local onde enfrentara Kraig de Cavalo Marinho. Ele estava irritado, e seguiu até a barragem de pedras a beira mar.

— Por que demorou? Ironicamente recebe Kraig. — Pensei que levaria meus prêmios sem resistência. Elas parecem bem mais inofensivas hoje.

Anna estava ao lado de Mia, desmaiada, tentando defende-la. A jovem não conseguiu fazer brilhar seu cosmo como da última vez, mas sua determinação a destacava.

— Deixe as jovens. Firme ordena Teneo. — Suas contas são comigo.

— Já disse que é o brilho dessa jovem que me importa, ou melhor dessas jovens. Responde o marina. — Essas terras eu posso conquistar depois. Outras presenças brilhantes já foram recrutavam para Podeidon, mas essas jovens certamente terão um destino mais nobre em nosso exército.

Teneo empurra Kraig pressionando o peitoral de sua escama.

— Elas não estão disponíveis! Retruca.

Kraig se desvencilha do toque de Teneo, e seu semblante muda.

— Não pode se opor a vontade de Poseidon! Declara o general marina. — As levarei a qualquer custo. Ainda que tenha que se por cima de você.

Com um movimento de braço Teneo ordena que Anna e Mia sigam de volta ao interior da vila, onde Noir as estava esperando. O guerreiro sinaliza para o artesão confiando a ele sua filha. Ele se posiciona entre o general marina e sua filha que se vai mais atrás de Mia.

— Daqui você não passa. Afirma Teneo. — Volte para de onde veio, ou lute comigo. A decisão é tua.

Kraig balança a cabeça em sinal de desaprovação.

— Vou lutar contra você, e pegar minhas prendas. Retruca o marina. — Ela sequer tem cosmo para se defender, e o pessoal dessa vila é patético. Só preciso passar por você.

Com um movimento de mão Teneo convida o adversário para a luta, queimando seu cosmo. O general marina faz o mesmo.

Numa velocidade incrível, imperceptível a olhos comuns, e até mesmo ao olhar de Kraig Teneo parte para a investida contra a marina. Com seu ombro esquerdo ele empurra o adversário metros a frente, e afastando-se um pouco aplica diversos golpes, nos pontos chave da circulação de energia no corpo de Kraig. Ele recua, e numa fração de milissegundos estava com seu bloqueio pronto, aguardando o impacto da técnica do adversário.

Kraig de Cavalo Marinho apenas sentia o impacto, e se não fosse sua escama teria seus pontos vitais bloqueados. Teneo aparentemente sequer havia saído  do lugar.

A grande velocidade de Teneo impressiona o adversário, mas agora ele tinha uma estratégia para ver o que estava oculto.

— Venha guerreiro! Desafia o marina. — Quero saber até onde pode ir sua habilidade.

Kraig queima seu cosmo, e interagindo com as moléculas de ar cria correntes de vento assimétricas e multidirecionadas, causando um parcial bloqueio a grande velocidade de Teneo.

O marina agora via a chegada de Teneo, e após de preparar para o impacto, se esquiva de quase todos os golpes desferidos pelo guerreiro de Atena. Um ataque porém pareceu ter sido deixado por último, como se sincronizado a nova velocidade imposta por Kraig  A investida do punho acertou o lado esquerdo do peitoral, explodindo a escama e penetrando a carne.

Teneo inicia seu recuo, quando percebe a reordenação da direção dos ventos com um brutal aumento de velocidade, mudando o formato para um redemoinho. Sincronizado, o guerreiro sai do centro do turbilhão, seguindo a velocidade da periferia que também era gigantesca. Antes que perdesse a consciência ele sente as preces de Anna, e num último esforço se desconecta do redemoinho.

Kraig sente no último segundo de contato do vento com o corpo de Teneo uma assimetria no guerreiro de Atena.

Em queda livre Teneo beirava a inconsciência, mas se guiava pelo brilho do cosmo de Anna. Ele percebe que Kraig prepara sua investida, e metros antes de tocar o solo vê o punho esquerdo do marina recolhido e pronto para o ataque. Prestes a tocar o solo, ele estava debilitado pelo desgaste em sincronizar sua velocidade aos inconstantes ventos do general marina. Ainda dotado de grande velocidade, Teneo oferece o lado esquerdo do peito para o impacto.

O ataque fulminante de Kraig seria letal, mas o guerreiro de Atena usa seu corpo para prender o adversário a ele, e pela barriga do marina ele atinge o lado direito internamente, quebrando várias costelas no caminho.

Teneo compreendera que assim como ele Kraig tinha o coração no lado direito, e isso explicaria o marina ainda estar vivo após seu ataque fulminante.

Kraig percebera assimetria similar a sua em Teneo, mas não contava com a maior velocidade do adversário debilitado por seus intempestivos ventos. Ele caíra numa armadilha, e devido a precisão no ataque recebido era morte certa.

Os oponentes se desconectam e caem, com grande quantidade de sangue expelido por Kraig. O mar se agita, e uma grande onda cobre ambos, levando o general marina. Teneo olha para o mar e vê um soldado marina com seu general nos braços caindo nas águas. Anna vem em socorro de seu pai.

— Senti seu cosmo, minha querida. Carinhosamente acolhe Teneo a sua filha. — Fui guiado por seu brilho. Sua mãe ficaria orgulhosa.

— Eu sei. Responde a jovem, sorrindo. — Senti algo bom fluindo de você, pai. Ainda que não conseguisse vê-lo naquele redemoinho. Eu e Mia estávamos aqui o tempo inteiro.

Anna sorri, e abraça Mia que ali de pé observava. Teneo estava curioso com algo.

— Se estavam aqui, como conseguiram se esconder de mim e Kraig? Indaga.

As jovens se entreolham em cumplicidade.

— O brilho do cosmo de Mia de alguma forma nos ocultou. Responde. — Vimos o pai dela passar por nós sem nos perceber.

Naquele instante chega Noir e outros moradores da vila para ajudar a Teneo. Ele olha para Mia, com firmeza.

— Depois falamos!

— Sim, papai. Resignada responde Mia.

Noir olha para Teneo e confirma a informação.

— É verdade, não as vi em lugar algum, e por aqui não havia sinal de ninguém. É uma habilidade estranha.

Teneo ri.

— Também acho, Noir. Concorda Teneo. — Tenho certeza que será útil para Atena algum dia.

 O guerreiro tosse forte, e ao tocar o lado direito do peito de Teneo Noir certifica-se que o coração do guerreiro de Atena ainda estava forte. Anna nada entende.

— Por que toca o lado direito, Sr. Noir? Pergunta Anna confusa. — O coração está no lado esquerdo!

Noir olha para Teneo, com uma mensagem já conhecida, e ele sinaliza em sinal positivo.

— Minha filha. Inicia Teneo. — Tenho algo importante para te contar.

Ele conta de sua condição física especial, e da fragilidade de seu coração. Sua assimetria tinha sido seu trunfo, mas agora um grande guerreiro sabia de seu segredo.

Noir, que há anos cuidava da saúde de Teneo, temia por essa nova situação, e por fim podia provar a seu teimoso paciente que o esforço exagerado poderia parar seu órgão vital.

Teneo vencera dessa vez, mas o futuro era incerto, pois Kraig de Cavalo Marinho era um grande adversário.

Para Anna o desejo de ter seu cosmo brilhante e vibrante só aumentara, pois agora seu pai dependia dele.


A LUTA PELO BRILHO DE ANNA REVELA GRANDES VERDADES OCULTAS, E EM BREVE ATENA FARIA GRANDE USO DE TODAS ELAS.

domingo, 10 de setembro de 2017

Ato 017 - Aqueles que protegem em segredo


Era quase noite em Lemúria, e mais cedo clarões puderam ser percebidos em vários locais da ilha. A luz era Atena que visitava diversas pessoas, para quem estava reservada importantes missões.

Samarco, no cair da noite receberia esta luz. A província, mais ao centro-oeste da ilha, era o cinturão da produção de alimentos da ilha, as margens do grande lago Siena. Nesse local abençoado por Demeter, morara Roshi e sua filha Talia.

A família de Roshi era a mais tradicional de Lemúria no ramo da agricultura. O lemuriano seguia o ofício de seu pai e de ser avô, e Talia, fruto da próxima geração da família, já conhecia bem o equilíbrio entre o homem e a natureza.

A casa de porte médio, antiga mas bem conservada, de madeira de boa qualidade ali mesmo colhida marcava o centro do grande pomar, que guiava a entrada e a margeava a estrada.

O ambiente rústico era a paisagem da paz, cujo silêncio era apenas rompido pelos sons diversos de aves e animais de criação, soltos em plena harmonia com as plantas e demais elementos do cenário.

Naquele lugar Atena surgia a vontade, certa de estar em reduto de velhos conhecidos há muitas gerações. Era fim da tarde em Lemúria.

Roshi a porta reverencia a deusa com sua aura luminosa, e com sinal de mão orienta Talia a fazer o mesmo. A menina estava encantada, pois estava para conhecer alguém muito falado por seu pai, a deusa da Sabedoria e Guerra Justa, Atena.

Ela se curva, mas ainda sim caminha em direção a luz, ao encontro de Atena. Roshi parece ver uma imagem estranha: uma jovem de cabelos castanhos, ao lado de uma bela mulher lemuriana com os mesmos traços de Talia, lindamente vestida com uma reluzente armadura esverdeada.

Roshi parecia estar sonhando, quando a luz se dissipa, e ele vê imagem invertida, onde a jovem vestida de branco trazia sua filha sorridente.

Ainda caminhando Atena inicia sua narrativa com Roshi, enquanto entrega Talia ao seu pai.

— Roshi, meu guerreiro. — Inicia Atena. — Faz um belo trabalho com Talia. As novas gerações de meu exército ganharão uma bela guerreira para o campo de batalha.

Roshi fica feliz em saber que sua linhagem a serviço de Atena seria perpetuada.

— Sim, Senhora Atena. — Responde o guerreiro.  — Apenas fiz meu dever como pai, preparando a próxima geração.

Atena sorri.

— Sairás de Lemúria. — Afirma Atena. — Apenas Talia tens o senso de equilíbrio que possui. As batalhas que virão necessitarão desse legado. Do equilíbrio entre o tigre e o dragão. Lemúria não mais atende ao potencial de Talia.

Roshi olha para Talia atento, como se já soubesse do que falava a deusa.

— Seguiras para as terras altas às margens do mar Mediterrâneo, numa região com cinco montanhas. — Complementa Atena.

Roshi acompanhava Atena, mas a devoção no olhar de Talia à deusa causou-lhe admiração. Em breve ele entenderia.

— Preciso que acompanhe meu renascimento de mais longe. — Prossegue Atena. — Sentirás o fluxo do equilíbrio em seus dois sentidos, e saberás a hora de retornar.

A deusa olha em volta e contempla a paisagem.

— Em muito Lemúria será útil a batalha que virá, e nos irmãos e sua prole confiarei minha proteção em segredo.

Reconhecendo a atenção de Talia a suas palavras, Atena se dirige a ela.

— Talia. É a semente da nova geração. — Afirma Atena. — Serás a primeira geração dos meus novos guerreiros. O tempo junto as águas da grande cachoeira será essencial para o seu conhecimento, e para a compreensão do legado de sua família.

A aura de Atena começa a se dissipar, e ele profere suas palavras finais.

— Partirás ao amanhecer. — Finaliza Atena. — Reúna o necessário a viagem e não se despeça dos seus. Orientarei sua viagem.
Orientados por Atena, Roshi e Talia fizeram a última refeição naquelas terras. A menina estava feliz. Tudo foi arrumado e a menina foi dormir.

Ao amanhecer, na hora da partida, Roshi e sua filha lembram dos seus, e por um momento se entristecem. Eles se lembram da vívida aura de Atena, e se alegram novamente. Estavam a serviço de sua senhora, e isso era motivo para júbilo. Pai e filha estavam sintonizados, e Roshi fica feliz com a demonstração de maturidade de sua menina.

Em Tessalian, Melias e Ankaa sentiam a angústia temporária dos seus. Talia e Ankaa tinham uma ligação silenciosa, apesar da menina esperar um pouco mais. Melias sentia que seu irmão precisaria muito dele a partir de então, só não sabia definir como.

Roshi e Talia partem para seu destino orientado por Atena, e Melias e Ankaa chegariam as terras dos seus no cair da tarde.

No caminho Melias e Ankaa vão sentindo os fragmentos do dissipar dos cosmos de Roshi e Talia, mas também resquícios de um grande cosmo na medida que se aproximavam da casa de madeira. Melias já conhecia a energia, e Ankaa já sentia a acolhida.

Para Ankaa havia uma mensagem no ar, deixada por uma poeira de cosmo que toca a mão aberta do menino.

Ankaa descobrira que era parte de uma missão maior que teu silêncio. Ele aguardaria o retorno do cosmo de Atena, e Melias sabia que deveria zelar para o completo crescimento de seu filho.

ATENA PREPARA SUA ESTRATÉGIA PARA A BATALHA QUE VIRÁ. UMA SAIDA PROGRAMADA MARCA O INÍCIO DE MISSÃO DE UMA FAMÍLIA.

sábado, 19 de agosto de 2017

Prelúdio - Ato 000 - O triunfo de Atena (Prólogo)


A guerra santa entre Atena e Poseidon se desenvolvia. As forças de Poseidon recuavam pelo templo do deus na Superfície da Terra (Sekai) rumo ao Templo Submarino, o último reduto de resistência do deus numa batalha.

Atena rumava vitoriosa com seus cavaleiros e amazonas rumo a fortaleza submarina do seu oponente. A superioridade de seu exército vestido pelas sagradas armaduras forjadas pelos alquimistas lemurianos era evidente, e a deusa sufocara o Senhor dos Mares em sua última chance de vitória.

Cinco Cavaleiros e duas Amazonas da mais alta casta ateniense desceram, confrontaram e venceram os Generais Marinas, elite de Poseidon e sua última linha de defesa.

Ankaa de Phoenix, Lubian de Pavão e Talia de Dragão tinham os arredores dos sete pilares sob controle, e Leo de Áries fazia a guarda pessoal de Atena.

No Salão Principal, sala do trono de Poseidon, o Senhor dos Mares caíra diante Atena, e não mais havia espaço para seu imenso orgulho olimpiano.

Poseidon estava atônito. Ele vira sua conquista sucumbir à força súbita do exército de Atena.

Durantes três anos foram muitas as áreas da Terra que haviam sido anexadas aos seus domínios. Seus generais marinas cumpriram seu papel, e ainda que com dificuldades tornavam-no vitorioso a cada investida.

O deus derrotado teria sua alma selada por Atena, imponente em sua armadura dourada reluzente. Sua força desaparecera.

Poseidon estava caído ao lado de seu trono. Em volta diversas colunas que sustentavam o grande salão estavam quebradas. As imponentes paredes do seu templo talhadas com a imagem do tridente, marca de sua posse, e das sete bestas marinhas, insígnias de sua elite de soldados, estava em cheias de rachaduras a ponto de ruir. A destruição total da grandiosa morada do deus em seu santuário de poder estava prestes a acontecer.

— Está acabado, Poseidon! Afirma Atena. — Seu exército foi derrotado, e é hora de você repousar num sono divino.

Atena apontava Niké, a deusa da vitória, que na forma de seu cetro, sempre acompanhava a deusa da Sabedoria e da Guerra Justa, e garantia o seu sucesso nas batalhas.

— Acabou Atena. O orgulhoso deus estava resignado. — Subestimei sua força e sabedoria. Sua estratégia foi certeira. Os trajes feitos por Lemúria mudaram a guerra a seu favor. Malditos Lemurianos! Fui derrotado mais voltarei!

Como um flash de luz, Poseidon repassa a história da guerra perdida em seus últimos minutos de liberdade.

À MENTE DE POSEIDON

Grande Salão do Imperador ...

Reuniam-se os sete Generais Marinas, e o poder de suas escamas alaranjadas traçavam o caminho da vitória.

Seu olhar corre todos os pontos de combate ...

O gigante Crisaor, que dizimou resistências nas proximidades da Ática com sua poderosa lança dourada, estava ao chão. Sua lança sucumbira ao brilho dourado das galáxias destruídas pela poderosa técnica de Ozir de Gêmeos.

Miriah de Scyla, a rainha das seis poderosas bestas, conquistadora da Grécia, estava esgotada. O escudo do cavaleiro de libra fora a defesa perfeita.

Lytah de Lumnades, mestra da ilusão devastadora das terras baixas sobre o polo sul, não mais estava no templo submarino. Anryu de Cancer pelo portal do sekishikii levara sua alma para o mundo de Hades.

Dimmi, o poderoso Kraken, proclamador da justiça de Poseidon nas terras gélidas ao norte do polo ártico, estava congelado. Sua escama não brilhava mais, pois estava ofuscada pela brilho do pó de diamante que chovia pelas mãos de Aria de Aquário.

O Dragão Marinho, com sua tempestade e maremotos conquistou a costa e avançou o grande continente banhado pelo oceano Atlântico Norte, mas sucumbiu ao fio dos relâmpagos de Aaron, o leão dourado.

Kraig de Cavalo Marinho, o general que a galope tomou o mar mediterrâneo para o hall de conquistas do senhor dos mares, fora derrubado pela estrela vibrante do touro dourado.

Então a mente do deus vem a última general marina, cuja ambição não fora maior que sua consciência do amor de Atena: a desertora Sarah de Sirene. Depois de conquistar as ilhas do oceano Índico e perder a batalha por Lemúria, teve numa rosa branca da amazona de peixes a marca da sua traição.

O deus vê seus guerreiros caídos, e onze cavaleiros e amazonas, com seus trajes consagrados por sua algoz emanando poder exuberante.

Poseidon recorda quando as sagradas armaduras de Atena reverteram o curso da batalha. Quando seus soldados foram devolvidos ao mar pela força de guerreiros forjados por suas perdas pessoais.

Atena compartilhado das recordações de Poseidon lembra-se de seus guerreiros que recuperaram os territórios das mãos do deus dos mares: Tuk de Cerberus no mar Mediterrâneo; Marcos de Cruzeiro do Sul no extremo sul; Sula de Camaleão na parte média das terras banhadas pelo oceano Pacífico; Jeane de Lebre na península do Atlântico Norte; Arthur de Escultor na grande ilha do extremo norte da Atlântico; Nicole de Bússola nas ilhas da porção média do oceano Índico; Adam de Sagitta e Nora de Hydrus nas grandes terras ao norte banhadas pelo oceanos Atlântico e Pacífico prologando até as terras árticas; Leonel de Tucano, Tina de Sextante e Metis de Serpente no grande continente ao centro da terra, separando o Atlântico do Índico;  Sobis de Triângulo e Karl de Lyra nas terras geladas a leste do Índico, no oceano Ártico, dentre outros.

Poseidon olha para o extenuado Leo de Aries, que coberto pela a poeira estelar o enfrentou em defesa de Atena. As marcas em sua testa causaram a ira do Senhor dos Mares.

— Lemurianos ... Malditos lemurianos. Esbraveja Poseidon com que restava de suas forças. — Resistiram a todos os meus ataques, e ainda criaram as armaduras para Atena.

Leo, Ankaa, Talia e Lubian, ambos lemurianos, sentiram um mal pressentimento varrer suas mentes.

— Vou acabar com vocês! Gritou Poseidon.

Muito fraca sua alma sugada pela ânfora de Atena. A deusa corta seu dedo com parte interna e pontiaguda do báculo e escreve seu nome em pedaço de tecido que pedira a Leo. Com esse selo Poseidon estaria inativo por muitas gerações.

O Templo Submarino ia se desintegrando, visto a inexistência do enorme cosmo do deus que agora estava selado.

Atena convoca seus cavaleiros e amazonas, que apoiando os guerreiros já sem o poder de suas escamas caminham ao encontro de sua deusa.

Sarah e Ted tinham seguido caminhos diferentes. Sarah já havia saído do Templo Submarino, após ser perdoada por Régia de Peixes, e Ted desaparecera após perder sua escama.

Reunidos Ozir de Gêmeos; Aaron de Leão; Ian de Libra; Anryu de Cancer; Ária de Aquário, gravemente debilitada após intensa batalha e apoiada por Ankaa de Phoenix; Teneo de Touro; Régia de Peixes; Lúbian de Pavão, Talia de Dragão e Leo de Áries, com o brilho de seus cosmos intensificados pelo poder de sua deusa, abriam espaço entre os destroços do templo para a passagem de Atena e da alma de Poseidon selada.


ATENA TRIUNFA SOBRE POSEIDON. ONZE GUERREIROS FECHAM A GUERRA SANTA QUE ABRE AS DISPUTAS PELO DOMÍNIO DA TERRA. A HISTÓRIA COMEÇA A SER CONTADA.


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Prelúdio - Ato 016 - Trégua


Ariadne estava feliz por reencontrar Aria pouco mais de um ano depois, e a batalha então finalizada não as havia permitido sequer um abraço. Elas caminham em sua direção uma da outra quando uma terrível cosmo-energia surge.

As amazonas se olham e se posicionam para um possível confronto.

— Este cosmo ... A mesma energia que destroçou nossa vila. Conclui Ariadne.

Aria pressentindo um ataque, a velocidade da luz salta a frente de Ariadne e toma todo o golpe emitido pela névoa que junto ao cosmo surgira. Uma longa risada ecoa e ouve-se uma voz.

— Parece que reencontrei minha órfã. E pelo que vejo se bandeou pro lado de Atena. Mas não se preocupe ... Darei um fim a essa história triste. Decidi por poupar sua vida a cinco anos atrás, mas estar com Atena ...

A névoa se dissipa e surge um homem. Vestido com uma reluzente escama do reino dos mares, se apresenta.

— Eu ... Dimmi de Kraken. O General Marina do Oceano Ártico! Terminarei o que deixei incompleto.

Aria se enche de fúria ao lembrar-se da destruição que ele causara.

— Foi você?! Dizimou toda a vila. Não o perdoarei!

Com um calma e um sarcástico ar de superioridade zomba o marina ...

— Então é você ... A “Senhora das aguas”. Aquela de que todos diziam. Aquela que dizimou meu exército. Não sabe o quanto a procurei, mas como é engraçado o destino, ele tarda mas não falha. Vamos ver se é tão “Senhora” assim de alguma coisa.

Preocupada com o cansaço físico de Ariadne por seu enfrentamento aos soldados marinas de Dimmi, e decidida a se vingar por todos da vila Aria afasta Ariadne e assume a luta.

— Proteja-se Ariadne! Diz — Eu acertarei as contas com ele!

Ariadne, inconformada, e tomada da mesma sede de vingança de Aria olha para a aquariana desolada.

— Mas ele matou minha família. Retruca. — E toda a minha vila.

Aria com autoridade olha para Ariadne.

— Não! Firme conclui Aria. — Não está em condições. Ela era minha casa também. Amava a todos apesar do pouco tempo. Acabarei com ele por todos nós.

Diante palavras decisivas resigna-se Ariadne, lançando um olhar marcado pela confiança em Aria depositado. Aria balança a cabeça em sinal de respeito a confiança recebida.

— Está bem. Diz Ariadne. Confio em você. Acabe com ele!

Com um ar de deboxe interrompe Dimmi.

— Já acabaram-se as despedidas? Não se preocupe, garota de Cisne ... serás a próxima.

Aria de Aquário e Dimmi de Kraken ficam cara a cara, atentos a todos os movimentos um do outro, prontos para o confronto. Naquele ambiente tenso Dimmi quebra o gelo com provocações.

— Fiquei impressionado com vocês. Primeiro você de Aquário ... derruba um a um meus soldados a cinco anos atrás. Agora essa menina de Cisne faz o mesmo. Não que eu me importe com eles, pois não valem tanto assim pra mim. Mas isso é uma fronta a Poseidon, o Senhor dos Mares!

Dimmi abre os braços, mostra a Aria os arredores do local, e continua.

— Um deus muito maior que Atena, residente nesse mundo há muito mais tempo que ela. Uma menina mimada, nada mais que a filha rebelde de Zeus. Poseidon é o verdadeiro senhor da Terra, e garantirei essas terras a seus domínios.

O marina, com uma tranquilidade inabalável, olha no fundo dos olhos da amazona, em meio ao pó de diamante que caia. Ele corrige sua postura, muda de semblante e chama Aria para a luta.

— Vamos Aquário. Não temos tempo a perder. Prepare-se para conhecer a técnica que destroçou aquele vilarejo sujo, e que ira acabar com cada uma de vocês. Já que escolheu ser a primeira ...

Dimmi faz cair flocos de neve e após o leve escurecimento do céu, ele concentra a energia da aurora em suas mãos. Com os braços abertos uma descarga elétrica percorre a distância entre as mãos, da energia acumulada em cada mão. Juntando os braços á frente uma grande carga de ar congelado, roubado do ambiente, é lançado em direção a Aria.

— Morra! Grita Dimmi. — Aurora Boreal!

Aria, surpresa com a intensidade do poder atirado, movimenta suas mãos no sentido de bloquear a técnica.

Um marca no chão de neve fica, feita pelos pés da amazona que fora arrastada duzentos metros para trás da posição em que recebera o golpe. A força devastadora da Aurora Boreal fora contida, mas Aria agora sabia pelo que passara a vila de Graad.

Cansada, e impactada pelo último golpe recebido, Aria se posiciona para atacar diante Dimmi admirado.

— Ainda de pé, Amazona. Zomba Dimmi. — Muito me admira ter suportado minha técnica. Mas saiba que lancei um golpe de força reduzida. Não quis destruir teu belo rosto. Planejava contemplá-lo ao retirar a máscara de teu cadáver, mas já que insiste que seja pra valer farei o que desejas.

Aria movimenta a cabeça em sinal de desdém.

— Reduzido? Indaga de forma sarcástica. — Logo vi. Pude conter sem muito esforço. Esperava mais de um General Marina de Poseidon. Que decepção! Na próxima ... mande tudo o que tens. Não se importe com o belo rosto por detrás da máscara, pois ele é mais letal do que possa pensar!

Aria levanta a cabeça, e se posiciona.

— Sou uma Guerreira de Atena!

Apesar das frases determinadas Aria estava preocupada com a força do ataque do marina, dito de poder reduzido.

— Tenho que me concentrar. Pensa Aria. — Este ataque quase acaba com a luta. Se não fosse a armadura de ouro ...

Certa da necessidade de demonstrar equilíbrio na luta desafia Aria.

— Vamos acabar logo com isso!

O ar frio começa a se concentrar de volta do seu corpo, com o intensivo aumento de seu cosmo. Dimmi se assusta com o repentino aumento do cosmo da sua oponente. Extremamente agressivo, o cosmo de Aria atrai todo o ar frio do ambiente deixando o ar próximo a Dimmi mais quente, além da terrível chuva de neve que provocara. O marina se prepara para receber uma grande técnica.

Aria com grande frieza, visto a afastamento de todos os sentimentos naquele momento, dispara o ar frio em direção ao adversário revelando sua técnica.

— Pó de Diamante!

Dimmi, apavorado, vê uma grande quantidade de ar frio partindo como um cometa em sua direção. Ele tenta bloquear, mas é arremessado a quilômetros de distância.
Diante o sucesso aparente Ariadne se empolga.

— Conseguiu! Você conseguiu! Diz.

Aria balança a cabeça e retruca.

— Não se engane! Não subestime teu adversário. Esse pode ser seu último erro!

Aria caminha em direção ao local onde Dimmi foi arremessado e sente seu ombro dolorido. O impacto do pimeiro golpe e da Aurora Boreal causara-lhe aquela sequela.

Em meio à nuvem de neve encontra-se de pé, Dimmi, já sem seu elmo e com parte de sua armadura destruída. Ariadne fica apavorada com a resistência do marina.

O marina se ajeita de pé e dá uma gargalhada.

— Usuahahahahaha. Acredito que dosou o teu ataque. Não posso crer que isso seja tua força máxima.

Agora, é Aria que ri.

— Engraçado, diz. — É a primeira vez que dizes algo coerente. Não conheces meu verdadeiro poder, mas terá oportunidade. Vejamos o poder em seu máximo explendor no seu próximo ataque.

Dimmi fica sério, e deixa Aria confusa com suas palavras.

— Não! Diz Dimmi. — O Kraken ... Conhece a lenda? Vou te contar. O justiceiro dos mares. O Kraken é uma criatura lendária que habita os mares glaciais: O Oceano Ártico. Uma vez alcançado pelo Kraken nada resiste. Mas o Kraken não mata inocentes, apenas barcos que levam a bordo ódio e ganância. Ele os castiga sem dó, e é impassível diante do mal.

O marina inclina-se em reverência.

— Ele o destrói completamente, e sentimentos diante do inimigo são sinais de fraqueza. Admiro sua frieza diante o adversário. Sei que estás machucada pelos golpes que te apliquei. Também estou machucado pelo seu Pó de Diamante. És a melhor de meus adversários até hoje.

Séria, Aria meche a cabeça em sinal de agradecimento. Dimmi Ajeita um pedaço de sua escama partido, e prossegue.

— E quero uma luta inteira com esse adversário de valor. Quero que lutemos com todas as nossas forças. Quero o máximo de teu poder para que possamos medir nossas forças. O empate não é aceitável. O Kraken não empata quando devora o mal. A superarei em teu poder máximo, assim proponho um trégua.

Aria sente a força do cosmo de Dimmi enfraquecida e percebe a veracidade de suas palavras e intenções. Dimmi toca o peito atingido pelo Pó de Diamante de Aria.

— Nos recuperaremos e nos veremos de novo. O que você me diz? Indaga Dimmi.

Por alguns segundos, o silêncio paira no ar. Aria admite que não poderia dar o melhor de si com o ombro machucado.

— Concordo. Responde Aria. — Vieste em meu mundo. Terminaremos essa luta no seu. Uma luta sem tréguas, até que sobre apenas um: O vencedor.

Dimmi vira-se de costas e segue de volta ao mar.

— Certo! Nosso reencontro está marcado. Te esperarei.

Ele some e Aria cai. Ariadne a ampara.

— Dói. Diz Aria. — Meu ombro. Conter a Aurora Boreal quase me custou um braço.

Ariadne lembra-se das palavras de Dimmi.

— E tinha poder reduzido. Completa Ariadne.

Aria, mesmo com muita dor, ri da inocência de sua companheira amazona.

— Não creio. Rebate Aria — Disse aquilo para me intimidar. Mostrar superioridade a uma mulher. Mas já conheço sua técnica, e isso é o mais importante.

Aria, como mestra, instrui Ariadne.

— Cuidado, Ariadne. Não subestime o adversário. Nunca!

Como uma boa aprendiz, Ariadne tudo ouve e compreende.

Ariadne leva Aria até a vila para receber cuidados médicos e se recuperar daquele difícil confronto.

A amazona de Aquário tinha um desafio a vencer em breve. Os destinos de Aria e Ariadne mudariam por completo após conhecerem aquele homem.


O MAL VINDO DO MAR QUE OUTRORA TIRARA MUITAS VIDAS SE REVELA. UMA BATALHA FEROZ, UMA TRÉGUA E UM NOVO DESTINO. O QUE AGUARDARÁ ESSE CONFRONTO FINAL?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Prelúdio - Ato 015 - A Senhora das Águas


Um ano antes da derradeira vitória de Atena sobre Poseidon nasceriam três gerações de soldados para a confraria de Atena. Territórios de Atena iam sendo retomados pouco a pouco, e a vila de Graad foi um desses locais.

Na região da Sibéria, das águas geladas do mar ártico saiam grandes grupos de marinas. Ariadne de Cisne, recém consagrada Amazona de Bronze, os combatia, mas a velocidade com a qual saiam do mar ameaçava a segurança da vila de Graad, localizada a quilômetros dali.

Com muita agilidade Ariadne derrubava grupos inteiros com apenas um golpe, mas depois de muito tempo lutando solitária se esvaiam suas forças e tudo parecia perdido.

Quando a invasão parecia inevitável eis que surge a leste uma grande massa de ar frio, os marinas viram estátuas de gelo e em seguida pó. O mar virou uma pista de gelo, forçando o recuo das forças de Poseidon.

Chegara Aria de Aquário para ajudar. Ariadne olha para ela e sorri.

— A Amazona de Aquário ...

Séria como de costume, Aria demonstra preocupação com sua companheira amazona.

— Estás bem Ariadne?

Apesar do tempo, era nítido que a Aria mudara muito pouco.

— Sim. Responde a jovem amazona.

— Observava tua performance. Continua Aria. — Tens força de vontade e lutas com amor, mas é necessário que eleves teu nível de cosmo. Teu ar frio pode ser derrotado, caso enfrentes alguém mais forte.

A amazona de Bronze atenta e respeitosa pela posição de Aria, compreende suas palavras e sinaliza positivamente com a cabeça.

— Treinarei mais!

Ariadne lembra-se de um tempo atrás, pensa em voz alta e resmunga.

— A Senhora das Águas.

Aria se surpreende com o que acabara de ouvir.

— Senhora das Águas ... Pensa.  — Há tempos não ouvia esta frase.

À mente da amazona dourada pairam lembranças, algumas doces e outras nem tanto.

UM ANO ATRÁS

Sentados em volta de uma antiga fonte, ao centro da vila de Graad - leste da Sibéria -, Aria, uma jovem moradora do local há por volta de dois anos, junto a algumas crianças brincava. Aria tinha o dom especial de transformar água em gelo, e naquele momento brincava com seu poder para a admiração de todos.

— Como você faz isso? Curiosa, pergunta a pequena Ada.

— Isso é muito legal!  Faz um pra mim também. Pediam as crianças.

Mas seu dom não era bem visto por algumas pessoas mais antigas da vila.

— Venha aqui Ada! Diz uma senhora. — Saia de perto dessa bruxa. Não é bem vinda aqui! Volte para o lugar de onde veio! Moça estranha!

Outras mães surgem e levam seus filhos, mas uma menina um pouco maior que as outras, aparentemente uns cinco anos mais nova que Aria permanece.

— Por que você não vai também? Pergunta Aria.

A menina abre um largo sorriso.

— Porque não quero. Afirma a menina.  — Gosto de teu dom. Gostaria de ter um igual ao teu. Gostaria de ser especial em alguma coisa, como você é ... “A Senhora das Águas”. O que você acha do nome?

Aria se encanta com a inocência da menina.

— Legal. Responde Aria. — Não me acha uma “bruxa”? Intrigada pergunta Aria.

A menina olha com carinho para Aria.

— Não. Responde. — Só acho que deverias sorrir mais.

Aria sorri depois de conselho de tão jovem pessoa.

— Fica mais bonita. Continua a menina. — Olhe só.

A menina aponta o espelho de água da fonte e Aria se vê sorrindo.

— Gosto de você. Diz a menina. — Pena que nunca sorri.

Acalentada pelas doces palavras, Aria agradecida mostra sua admiração.

— Obrigada. Diz Aria.— Também gosto de você. É simpática. Mas, qual o teu nome?

A menina inocente brinca.

— Meu nome ... Começa a menina. É quase tão bonito quanto o teu. Me chamo Ariadne.

A mãe da menina a chama e ela corre em sua direção.

— Aria, a “Senhora das Águas” ... É minha amiga. Diz a menina correndo.

A mãe de Ariadne olha para Aria, e amistosamente acena e sorri. Aria fica ali pensativa em tudo que ouvira.

Os dias passam e as forças de Poseidon chegam a vila. Os homens e jovens deixam as mulheres e crianças abrigadas nas casas, e ao barulho do grande sino pegam suas ferramentas de trabalho para defender sua terra natal. Em meio a mobilização, ainda sem saber o acontecia Aria é interpelada por um senhor que partia para batalha.

— Saia daqui. Procure um abrigo. Os monstros vindos do mar estão invadindo a vila. Proteja-se, querida!

Atordoada Aria vê uma criança encolhida perto da fonte e apavorada com todo o barulho e movimento. Aria a reconhece. É Ada, a menina cuja mãe a chamou de bruxa.

— Venha comigo pequena! Diz Aria.

A menina a reconhece e mostra total confiança.

— A moça do gelo. Diz a menina abraçando-a a forte.

Aria, admirada pela confiança demonstrada pela menina, sorri, agindo imediatamente.

— Vou te levar pra casa. Sobe no meu colo. Acolhe a menina Aria.

Ao se aproximar da casa ela vê a mãe da criança aos prantos, mas ao ver a filha nos braços de Aria um brilho de alívio surge em seus olhos.

Ela solta a menina, e quando a criança já está nos braços da mãe Aria dá as costas e segue embora. A mãe da menina a interrompe.

— Espere! Por favor! Obrigada por salvar minha menina. Desculpe o que disse para você. Salve a vila. Use seu poder. Sei que podes ajudar. Te peço ... Senhora das Águas!

Agora mais intrigada do que nunca, Aria para e volta seu olhar a senhora.

— Onde ouviu isso? Indaga Aria surpresa.

A senhora, visivelmente humilde, responde.

— Ouvi a menina Ariadne dizer. Que não era uma “bruxa”, mas a “Senhora das Águas”. Que um dia seria como você e salvaria alguém. As crianças com sua inocência sabem ler a alma das pessoas. Se ela viu em tua alma a esperança, eu acredito nisso. Eu confio em você.

Os marinas avançam mais e mais e não sucumbem às rústicas ferramentas dos moradores da vila que recuam.

O homem retornando vê que Aria continua no mesmo local que outrora vira.

— Volte menina! Diz ele. Não deverias estar aqui. Eles são muitos. Não conseguiremos vencer.

Aria, certa de que poderia fazer algo, movimenta teus braços e uma cortina de neve varre a entrada da vila em direção aos inimigos.

Os homens viram-se e ao dissipar da nuvem de gelo veem que os “monstros do mar” viraram estátuas de gelo, e uma delas se esfarela diante seus olhos.

Surpresos com o ocorrido olham para Aria e partem ao campo de batalha destruindo as estátuas de gelo restantes. O homem que outrora dissera a Aria que se abrigasse, com um movimento de mão cede a jovem a liderança do grupo.

Um corredor se abre e Aria passa sob o olhar confiante de todos.

— Vamos! Diz o homem. Essa é nossa terra! Temos a Senhora das Águas do nosso lado! Vamos lutar!

Aria levanta a névoa de gelo trecho a trecho, e os homens e jovens destroem a estátuas de gelo.

Os marinas recuam para o mar. Todos retornam felizes com a agradável sensação de vitória.

Aria passa a ser aclamada como “Senhora das Águas” e torna-se amada por todos, contando com a confiança de todas as mães ao brincar com seus filhos.

Por teu feito Atena chega a vila em busca de Aria. Aria parte com a deusa à Atenas.

Na ausência de Aria, apesar da esperança e grande garra dos moradores da vila, esta sucumbe ao segundo ataque de Poseidon, dias depois de sua partida.

Aria, bem longe da vila, sente que algo errado ocorrera a vila. Com a permissão de Atena e acompanhada volta àquelas terras geladas. A vila em destroços tinha apenas três sobreviventes: Ada, sua mãe e Ariadne.

Aria chega perto da fonte, mantida intacta pelos marinas, e apavorada pela devastação causada pelo inimigo ouve uma voz. Olha em volta e descobre vir de uma pilha de escombros próximo dali. A casa de Ada.

— Aria ... Aria ... Aqui! Diz a voz.

Aria vê uma mão ensanguentada movimentando-se em tua direção.

— Senhora das Águas ...

Aria revolve os escombros e vê as três sobreviventes.

— Lutamos ... Diz a senhora. — Resistimos ...  e quase vencemos. Mas do mar veio um demônio. Usava uma armadura amarelada, que só em mexer os braços acabou com tudo. Não tivemos chance contra ele.

A senhora tosse, e o sangue que sai de sua boca mostra seu estado de saúde.

— Consegui me esconder aqui, mas não resistirei ... Cuide de minha filha e de Ariadne. Sua família foi dizimada.

Empenhada em salvar a todos, inclusive a senhora, Aria se levanta.

— Não. A senhora vai viver. Buscarei ajuda. Retruca Aria.

Sabendo de seu destino, interrompe Aria a senhora.

— Não. Não vá. Diz a senhora puxando Aria pelo braço. — É perigoso. Salve as crianças.

A senhora tosse uma última vez.

— Elas são protegidas dos céus, pelas constelações de Cisne e Aquário. Elas são especiais. Cuide delas! Senhora das Águas ... Eu te rogo.

A senhora tem uma taquicardia e suspira.

— Vejo uma jovem de branco. Diz. — Um anjo? Ela pega minha mão ... e toca minha testa. Será um sonho?

Tranquila e certa do que era tal visão sorri Aria, com uma imagem a mente.

— Atena! Conclui Aria. — A senhora está em boas mãos. Está salva.

As meninas olham para Aria com um singelo brilho nos olhos. A confiança estava estampada nos sorrisos de Ada e Ariadne, que apesar da morte ao lado permaneciam calmas.

— Atena! Diz Ada. — Mamãe se foi com Atena.

O espírito de Atena olha para as meninas e sorri, enquanto ascende aos céus com a mãe de Ada.

Ada dá a mão a Aria, que sorri e pega a mão de Ariadne seguindo ao que seria a nova casa das meninas. Sig e Anryu as esperavam. Sig brinca com Ada que a ele sorri. Uma pequena embarcação os aguarda e todos seguem na longa jornada a Atenas. Anryu brinca com maçãs e diverte as meninas. Sig pilota o barco, e Aria a proa pensa no destino e seus artifícios, por vezes cruéis.

DE VOLTA

Os grupos de marinas foram derrotados, e as amazonas, nostálgicas com a história e energia do local estavam felizes pelo reencontro, mas uma forte onda de cosmo varre o continente advinda do mar.

Algo mais reservara aquele dia para o exército de Atena.


A MORTE LIGANDO PARA SEMPRE TRÊS DESTINOS. UMA NOVA CHANCE DE VIDA EM NOME DE ATENA.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Prelúdio - Ato 014 - A técnica selada



As lembranças de Ozir continuam a fluir, seguindo a viagem e narrativa de seu pai Oscar sobre a técnica do controle em Lemuria.

QUINZE ANOS ATRÁS

Tessalian pouco a pouco ia sendo reconstruída ainda num clima bem quente, visto a atividade recente do vulcão. 

Os controles de atividade e temperatura do monte Jutsu apresentavam valores tão baixos como nunca antes visto, e a paz reinava no lugar. 

Oscar e Saulo ajudavam na reconstrução, sempre agraciados com os cuidados das filhas do Sr. Anaor. 

Os gêmeos, dias antes, sentiram o grande poder de controlar até mesmo a lava vulcânica. Apesar do calor e conduzidos por Ankaa, eles treinavam esse “controle” com relativo sucesso. 

Com a reconstrução da província, Ankaa retornou a escola, e Melias as suas funções, deixando Saulo e Oscar sem a oportunidade de descer ao centro do monte Jutsu. 

Em uma noite estrelada Saulo sai e sentar-se a frente de casa para contemplar o céu. Marah se aproxima, e ali fica toda a noite. 

Juntos, Marah e Saulo, olhando o céu entram num tranze profundo, eles sentem cada explosão interna do sol, e cada pulso espacial emanado pelas estrelas. 

Saulo consegue perceber ao menor detalhe da dobra do espaço, sentindo a conexão entre o tempo e o cosmos. Ele experimentaria, guiado pelo suave poder telepático de Marah, algo extraordinário. 

Junto a Marah Saulo sentiu seu corpo atravessar as dobras espaciais, e repentinamente surgem no centro do monte Jutsu. O calor do monte o despertara imediatamente. 

— Opa! Surpreso expressa-se Saulo. — Por que me trouxe aqui, Marah? Indaga. 

Marah sorri. 

— Foi você que nos trouxe aqui. Responde. — Nunca antes estive aqui, mas gostei do lugar. 

Saulo ficou muito surpreso. 

— Mas . . . Se não foi você . . . como?

Marah o abraço, confortando-o. 

— Foi você, com a leveza do teu cosmo. Sorri Marah. — Eu só te deixei livre de pensamentos. O resto você fez tudo. 

Saulo nada entende. 

— Pude sentir o movimento dos astros. Pude ver se abrir uma fenda no espaço, e entrei por ela. Mas, não entendo como vim parar aqui. 

Marah o abraça mais forte. 

— Você queria estar aqui, e construiu em sua mente o destino de sua viagem no espaço. Você pode viajar pelo espaço-tempo agora. É a base de nosso teletransporte, mas nos nascemos com essa capacidade mais aflorada. 

Saulo estava eufórico. 

— Mas . . . como voltamos? Indaga assustado Saulo. 

Marah ri. 

— Fiquemos mais um pouco. Gosto daqui. Aqui pode ser nosso ninho de amor. 

Saulo aprova a ideia, e se concentra novamente. De repente eles surgem no meio do caminho. 

— Opa! Lugar errado. Brinca Saulo. 

Marah se diverte com a inexperiência de Saulo. 

— Com o tempo você melhora, meu amor. Com o tempo você melhora. 

Marah segue a seu lar, e Saulo empolgado não vê a hora de amanhecer para contar a Oscar a novidade. 

O dia amanhece, e em meio ao clima bom do café da manhã na casa de Melias, Saulo conta em silêncio tudo o que lhe ocorrera. Melias percebe algo, mas não sabe definir bem o que. 

— Enigmáticos vocês hoje rapazes. Comenta. 

Oscar ri com a situação. 

— Não liga não. Brica Oscar. — A gente é assim mesmo. Contamos tudo um para o outro com apenas um olhar. Nossa ligação é muito forte. 

Melias balança a cabeça em sinal positivo. 

— Eu percebi. Comenta. 

Encerrado o desjejum Oscar e Saulo agradecem a Katina, como feito diariamente, e partem para o trabalho na vila. 

— Estou ansioso para vê-la, Oscar. Diz Saulo. 

— Eu também. Responde Oscar. — Acabando os telhados de hoje a gente pode ir encontra-las. 

— Certo. Conclui Saulo. 

O dia passa e chega o momento do reencontro. De banho tomado e sorriso no rosto, seguem a casa do Sr. Anaor os gêmeos. 

— Olá rapazes. Cumprimenta Sr. Anaor, na calçada. — Shina e Marah os esperam. Não demorem pois elas devem ir para a cama cedo. Brinca. 

Muito belas saem pelo portão afora as filhas daquele zeloso pai de família. Eles seguem até uma gruta, local preferido das moças na infância, e onde certamente o pai as acharia. 

Para a surpresa de Marah, cada vez mais ligada a Saulo, Oscar indaga a Saulo. 

— O que era aquele espaço diferente por onde você esteve ontem irmão?

Shina, ao lado de Marah sorri, para a maior supreza de Marah. 

— Era um lugar estranho. Comenta Shina. — Parece que eles compreendem agora, de certa forma, a nossa telepatia. 

Marah não compreendia, e sua expressão facial deixava isso claro.  Oscar olha para Shina e sorri. 

— Nossa ligação é muito forte. Até a ligação com meu irmão ela percebe. Comenta Oscar sobre Shina. — Pude até perceber a explosão das galáxias. Completa Oscar sobre a viajem de seu irmão. 

Saulo mostra estranheza. 

— Explosão das galáxias? Diz Saulo curioso. 

Oscar fica meio perplexo. 

— Sim! Responde Oscar. — É muita energia. Senti como se pudesse reuni-la toda em minhas mãos. Mas . . . Será que posso? Sinto que poderia explodir qualquer coisa com essa energia. 

— Por que não tenta? Hahahah. Saulo desafia Oscar. — Tentamos juntos. Arranje-nos uma pedra grande meninas, por favor. 

Shina e Marah por telecinese carregam uma grande pedra e a deixam suspensa no ar, e Shina provoca. 

— Façam com elas suspensa, se forem capazes. 

Saulo e Oscar se olham e riem. 

— Considere feito! Dizem juntos os gêmeos. 

Eles e concentram, elevam seus cosmos, e vasculham o universo a procura da energia de uma explosão galáctica. Duas são achadas, e os guerreiros se conectam a essa grande movimentação de energia, transportando-a pelo espaço tempo até dois pontos distintos da pedra. A pedra em fração de segundos implode formando uma nuvem de poeira. 

Oscar ainda brinca, explodindo pequenos pedaços com a mesma técnica. 

A harmonia entre os gêmeos e as filhas do Sr. Anaor fortalece os cosmos de Oscar e Saulo. 

A província com o tempo vai voltando ao normal e Oscar e Saulo já são considerados como filhos da grande família de Tessalian. 

A bela relação que nascera entre os gêmeos e as filhas do Sr. Anaor era fonte de grande admiração por todos. 

Saulo e Oscar, já mais habilidosos na técnica do transporte pelo espaço tempo, treinavam diariamente no centro do monte Jutsu, agora bem mais calmo. Nesses momentos lá sempre estava Ankaa, enigmático com seu eterno silencia. 

Certa vez ao chegarem ao monte Jutsu não encontraram Ankaa, como era de costume. Eis que surge o menino, e em seguida desaparece, como se chamando-os. Eles o seguem, e surgem numa floresta, a beira de um jardim defronte a uma cachoeira. 

O sol penetrava por entre as árvores, e refletia no espelho d’agua, formado após a queda d'agua, vagarosa e constante. Os pássaros ali eram muitos, e dentre eles um fazia um estranho movimento. 

Saulo observava os olhos de Ankaa, em perfeita harmonia com o que fazia o pássaro, como se o controlasse. Oscar percebe o mesmo. 

— É você que faz isso? Indaga Oscar a Anka. 

— Você o controla Ankaa? Reforça o questionamento Saulo. 

Ankaa sorri, liberta o passarinho, e responde. 

— Sim. Eu o controlo. Assim como o vulcão. É mais difícil porque ele resiste, mas com o tempo fica fácil. 

Os gêmeos se assustam, mas ao mesmo tempo se interessam. 

— Como é isso? Indagam juntos os gêmeos. 

— Vocês são engraçados. Comenta Ankaa. — Falam muita coisa juntos. São boas pessoas. Namorando a Shina e a Marah. Elas são bonitas. Eu gosto da Lubian, mas ela nem olha pra mim. 

Oscar ri, e acaba interrompendo Ankaa. 

— Você fala bastante quando quer, né rapazinho. Brinca Oscar admirado. — A Lubian é muito bonitinha. Combina com você. Vamos fazer um acerto? Eu te ajudo com ela, e você nos ensina como controlar o passarinho. Aceita?

Ankaa para e pensa por poucos segundos. 

— Aceito. Responde o menino. A Marah é amiga da mãe dela. 

Saulo, curioso para saber como Ankaa chegara a tal controle finaliza o assunto. 

— Fechado. Agora explique para a gente como você faz isso. 

Ankaa faz um rosto de tristeza. 

— Não posso! Afirma Ankaa para a surpresa de todos. — Meu pai me proibiu de fazer isso. Faço escondido dele. Se ele souber briga comigo. 

Nesse momento surge Melias, e Ankaa fica com medo. 

— Isso mesmo Ankaa. Enfatiza Melias. — Que bom que você se lembra. Sempre soube que vem para cá, mas desta vez você convidou nossos amigos. 

Saulo e Oscar ficam sem graça. 

— Desculpe-nos. Diz Saulo. — Não queríamos causar problemas. É melhor irmos. 

Melias balança a cabeça, e abraçando Ankaa os impede de ir. 

— Não vão ainda. Afirma Melias. — Há mais essa técnica para aprenderem. Pelo menos tentarem, pois nunca consegui fazê-la. Sem falar que prometeram ajudar Ankaa com Lubian. Não é isso filho? Melias olha para o menino com carinho. 

Ankaa feliz acena que sim. Saulo e Oscar compartilham da felicidade do menino, e Ankaa começa a ensinar a técnica com um pássaro. 

— Você chama a atenção, e integrando-se a ele, assume o controle, impedindo seu livre arbítrio. É uma ordem. Assim. 

O menino faz novamente, e o pássaro faz movimentos aleatórios sem sentido. 

Melias se incomoda com aquilo, e interrompe o controle. 

— Chega disso. Diz. — Deixe o animal livre. Você já explicou como é. 

Oscar e Saulo concordam com Melias. 

— Isso. Diz Saulo. 

— Roubar o direito de escolha não é bom. Completa Oscar. — Já entendemos como funciona. Agora vamos procurar Lubian para você, pequeno Ankaa. 

— Vão mesmo? Ankaa estava surpreso. 

Saulo sorri. 

— Claro! Atende Saulo a euforia do menino. — Você cumpriu sua parte no acordo. 

Melias contata a mente de Saulo e pergunta se é verdade o que ele dissera. Saulo acena que sim

Melias fica impressionado ao ver que pelo olhar de Oscar ele também assimilara a informação. 

O experiente lemuriano transporta todos daquele lugar, e os gêmeos partem para sua missão. 

Uma semana se passa, e Saulo encontra na praça, recém inaugurada em Tessalian, Tyrian e Lubian. Ele brinca com a menina. Oscar a distância aguarda a primeira abordagem de Saulo. 

— Lubian, a pequena alquimista. Sorri, e cumprimenta sua mãe. — Olá senhora Tyrian. 

— Olá Saulo, o novo filho estrangeiro de Lemúria. Saudosamente brinca a lemuriana. 

Saulo sorri, e pensa na frase de Tyrian. 

— Pois é. Situação diferente a minha e do meu irmão. Comenta. 

Oscar se aproxima, e Tyrian, sempre simpática, interage um pouco mais. 

— Como vão os namoros de vocês? Sai casamento? Sorri. 

Saulo sente a pressão de todos, que Mariah já havia lhe comentado. 

— Sai sim, mas tudo a seu tempo. Sorri. — Mas . . . e a nossa pequena alquimista, muitos pretendentes? Brinca Saulo. 

— Poucos. Responde a menina. — Na verdade o menino de quem eu gosto vive mudo, no mundo da lua. Saulo entende ser Ankaa. 

— Humm. Comenta Saulo. — Conheço um menino meio mudo que queria te conhecer, mas você quase nunca aparece. 

Os olhos da menina brilham, e a empolgação de Lubian anima Tyrian. 

— Quem é? Que saber Lubian. 

— Acho que você não conhece. Brinca Oscar. — Ankaa é o seu nome. 

Os olhos da menina brilham ainda mais, e um surpreendente sorriso surge no rosto de Tyrian. Quando Marah surge ao lado de Saulo. 

— Olá Marah. Cumprimenta Tyrian para o susto de Saulo. 

Saulo vê Marah sorridente, e continua a conversa com Lubian. 

— Posso te levar até ele se você quiser, e sua mãe deixar é claro! Diz Saulo. 

Lubian sorri, e prontamente responde. 

— Mas eu sei onde ele fica. 

Saulo põe a mão no queixo pensando na próxima frase, diante de tão perspicaz criança. 

— Posso ir contigo, e fazemos uma surpresa para ele. Propõe. — O que vocês acham? Indaga olhando para a mãe dela. Marah o cutuca. 

Lubian olha para a mãe pedindo um sim. 

— Se Marah for junto pode sim. Responde Tyrian. 

A menina olha para Marah pedindo outro sim. 

— Tudo bem! Responde Marah, e Saulo fecha o acordo. 

— Amanha às dez horas aqui, podemos combinar assim? 

Todos aprovam, e felizes partem por seus caminhos quando Tyrian interrompe. 

— Uma outra coisa . . . Chama a atenção de todos a mãe da menina. — Poderia Rose ir com vocês? Ela fica em casa tempo demais. Precisa de ares novos. Ela os ajudaria a tomar conta de Lubian. 

Marah e Saulo se olham com expressão de pouco conformados. Oscar nem se manifesta. 

—Tudo bem. Responde Marah pelo grupo. 

Tyrian sorri. 

— Obrigado. Sempre soube pelas estrelas que os gêmeos do continente foram enviados por Atena. Sinto que grande são os planos para esses dois belos casais. Saulo e Marah, e Oscar e Shina. Tal como Marah, Shina já estava ao lado de Oscar. 

— Não se preocupe Marah. Continua Tyrian. — Teu amor está escrito nas estrelas. Nas estrelas da constelação de gêmeos, e no mais alto do céu. Serás uma grande mulher ofuscada pela história. E tu Saulo, um grande homem ofuscado por tua consciência. 

O casal ficava tenso com tantas revelações futuras. O clima é quebrado com a chegada da bela Rose, de olhos cor azul turquesa. Todos se impressionaram com a beleza da jovem, da mesma faixa de idade dos dois casais.

Com uma ponta de inveja, reclama Lubian. 

— La vem ela roubar a cena, com seus olhos azul turquesa. 

Rose ri do ciúme da irmã. 

— Para com isso menina. Brinca. — Bom dia Saulo, Marah, Oscar e Shina. Como vão vocês. Cumprimenta a jovem. 

Todos se admiram ainda mais de Rose, e Saulo pensa 

— Uau! Como uma jóia rara como esta fica presa em casa.

Marah percebe a admiração de seu par e fecha o rosto.

Rose ri, e responde. 

— Joia eu? Joia é minha irmãzinha, a maior telepata de Lemúria. Se o futuro me reserva algo bom, não sei. Esperarei para saber com o tempo. Meus dons ainda serão revelados, e os partilharei com alguém. Por ora ainda não surgiu ninguém interessado em meus olhos azuis, assim continuo esperando. 

Saulo fica admirado, pois não havia dito nada, e Marah já estava diferente. Ela olha para ele com semblante amistoso, como se soubesse de tudo. 

— Vejo em você um grande dom, a sabedoria. O mais nobre de todos eles. Será muito bom estar contigo. Comenta Oscar espontaneamente, para o olhar desconfiado de Shina. 

Rose, silenciosa como de costume, com um sinal de cabeça agradece. 

— Precisamos ir. Obrigado Tyrian. Despede-se Saulo. 

— Disponha e obrigado por cuidarem das meninas. Confio em vocês. A gente marca uma conversa. Despede-se a lemuriana. 

Todos retornam as suas casas, e Marah fica pensativa sobre tudo que ouvira de Tyrian. O ofuscamento dito por Tyrian deixa Marah preocupada, e no rosto de Saulo a preocupação era a mesma. 

Chegando em casa Oscar sente o olhar preocupado do irmão. 

— Aconteceu alguma coisa irmão? Investiga Oscar. 

— Não, tudo sobre controle. Escorrega Saulo. 

Saulo decide guardar para si o impacto das revelações ouvidas, e desconversa. 

— A menina topou vir, e Ankaa terá uma bela surpresa. 

— Imagino. Completa Oscar preocupado. 

Saulo lembra-se de Rose, irmã de Lubian. 

— A irmã dela, Rose, tem os olhos mais lindos que eu já vi. Comenta. — Enigmáticos olhos azul turquesa. Creio que esses olhos terão ainda muito a revelar. 

— Tem razão. Completa Oscar. Ela me assusta. E quem Marah e Shina não nos ouçam. Os gêmeos por fim dão boas risadas. 

A noite se fecha, e conectados Marah, Saulo, Oscar e Shina compartilhavam as angustias e verdades daquele longo dia. 

Amanhece, e como combinado às dez horas, se encontram Saulo, Marah, Oscar, Shina com Lubian, e a bela Rose, trazidas por Tyrian.  Confiante na segurança das filhas Tyrian as deixa com os dois casais. 

Olhando os quatro Tyrian fala novamente verdades futuras. 

— Quatro pessoas escolhidas por Atena. Afirma. — Cada qual com seu papel na história futura desta terra. Minhas filhas não poderiam estar em melhores mãos. 

Nesse momento Tyrian vê uma bela mulher de olhos azul turquesa, levando pela mão a deusa Atena. 

— Não sei como. Continua Tyrian. — mas todos conectados por Atena. 

Ela entrega Rose as mãos de Marah e Saulo, e Lubian as mãos de Oscar e Shina. Nenhum dos seis nada entende, e ela segue seu caminho para casa. 

Ankaa chega pelas mãos de Katina, e pode enfim conhecer Lubian, tímido apesar de tudo. Enquanto as crianças brincam juntas, os dois casais ficam cada vez mais admirados com as palavras sábias da jovem Rose. 

ANOS DEPOIS . . . 

O tempo passa e Saulo e Oscar passam a ser considerados ilustres moradores de Lemúria. O barco preparado para a partida só sairia do porto de Casparian muitos e muitos anos depois

Saulo e Oscar em Lemuria fazem residência, e com a autorização do Sr.  Anaor se casam com Marah e Shina, num grande momento de alegria para toda a Tessalian. 

Três anos após as revelações enigmáticas de Tyrian nascem na casa de Oscar e Shina os gêmeos Ozir e Sig, e da união entre Saulo e Marah é concebida Sofia, com o sacrifício da vida da zelosa lemuriana. 

Foi grande a tristeza em toda a Lemúria, mas Marah morrera com um sorriso no rosto, como se recebesse de alguém grande notícia. 

MESES ANTES. 

Em certa noite, em Lemúria, do mais alto céu riscou um grande raio.  Antes mesmo que o choque chegasse ao cume do monte Sagres a luz se dissipa, e um forte cosmo é sentido por todos. 

A luz visita diversas casas, e dentre elas as de Katina, Tyrian, Marah e Shina. 

Durante um sonho feliz, Marah avista uma bela jovem de vestido branco e aura divina. A aura de paz não deixa dúvida, era Atena visitando sua serva. 

Atena, com seu cosmo quente, se dirige a Marah. 

— Marah, a partir de hoje terás uma importante missão. Inicia sua narrativa a deusa. — Darás a luz a Sofia, minha presença física nessa época. Preciso de ti duas atitudes de mãe: Abrir mão de um de teus filhos, e dar a vida pelo outro. Não é hora do nascimento de um deles, e o outro precisava de tua força vital para viver o futuro que o aguarda. 

Marah não sabia o que dizer diante tão dolorosos pedidos. Marah ficou surpresa, pois tratando-se de quem os fez, poderia apenas Atena fazer. 

Atena percebeu a dor da decisão de Marah. 

— Teu filho nascerá em outro momento, e será essencial para o equilíbrio da terra. Afirma Atena. — E tua filha abrigará a minha alma. Ela estará em boas mãos, sob meu olhar até o momento de meu despertar. 

Marah, percebendo a importância de sua decisão, lembrou-se do que te disse Tyrian. Ela já estava certa de tudo. 

— Estavas enganada Tyrian. Afirma Marah. — Não estarei ofuscada, pois Atena está diante mim, e ouve meu SIM. Estou a seu dispor, minha Senhora Atena. Conclui Marah, para o sorriso de Atena. 

— Sabia que podia contar contigo. 

Atena toca o ventre de Marah, e retira uma das crianças. Ela se vai, e ao acordar Marah de nada se lembra, mas sabe apenas que tinha muitos motivos para sorrir, apesar de não saber bem ao certo o porquê. 

Nesta noite Atena visitara muitas casas e pessoas, e anunciaria muitas missões. 

MESES DEPOIS

A pequena Sofia, seus primos Ozir e Sig eram os mais novos habitantes de Lemúria. De sangue misturado, tinham muito a se revelar ao longo do tempo. 

A perda de Marah marcou fundo o coração de Saulo, e apesar do grande cuidado pela menina o coração do valoroso guerreiro havia se fechado para a felicidade.  Ele contava sempre com a ajuda de Rose,

Oscar e Shina, de perto tudo acompanhavam, mas se mantinham afastados do cuidado diário por pedido do próprio Saulo. 

A vida seguia e muitas eram as noites que Rose dormia com Sofia para cuidar das dores e cólicas da menina, e isso havia gerado comentários e boatos maldosos.  Contavam que eles viviam como casal, e Saulo não respeitava o luto por sua esposa. 

Muitos conflitos foram gerados envolvendo as pessoas e Oscar, Shina e a própria Tyrian.  A mãe da moça confiava plenamente na honestidade de Saulo. 

Certo dia Saulo levara Rose em casa, e a agradecia por sua ajuda no portão ao fim da noite, quando alguém passou comentando. 

— Olha só . . . Levando a namoradinha em casa . . . que romântico! Afirma a pessoa de forma taxativa. — O corpo de Marah mal esfriou! E você menina, já devia estava preparando o golpe há tempos, hein … coisa feia! 

Saulo se irritou mais do que o normal. Ser agredido já era rotina, mas a agressão a Rose ele não aceitaria. 

Saulo movimenta o braço, e como uma marionete o homem que o agredia com palavras veio voluntariamente a Saulo. Saulo esmurrava com fúria, e o homem não reagia.  Via-se a expressão de dor que sentia, mas a falta de reação a todos impressionava. 

Rose ficou estarrecida com tudo aquilo, e entrou assustada em casa. 

Oscar de sua casa percebeu a falta de equilíbrio de Saulo, se teletransportando junto a Shina, interrompendo a ação de controle do irmão. O homem cansado caiu, e Saulo se deu conta do que fizera. Via nos olhos de Rose, a porta, a dor e o susto que causara a todos. 

Todos ficaram horrorizados com a cena, e os até então heróis passariam a ser reavaliados por todos. 

Saulo saiu disparado sem rumo, e Oscar saiu em seu rastro. Depois de muito correr Saulo cai, sendo levantado por seu irmão que vinha logo atrás. De repente uma luz os transporta para o belo local onde os gêmeos haviam aprendido o controle total. 

Atena surgia entre eles acompanhada de Ankaa. 

— Sou Atena.  Apresenta-se a deusa. — Vim para confortar teu coração, Saulo, meu valoroso guerreiro. Saiba que a ti sou muito grata. Por sua vida terei vida nessa terra. Por teu zelo serei uma bela jovem, educada e determinada. Por tua decência Rose será honrada e desposada por um lemuriano de valor. Ela gerará importantes pessoas para a minha vitória diante os desafios que me esperam. 

Saulo, em posição de reverencia, estava confuso. Não acreditava no que teu raciocínio lhe impelia a compreender. Ele era o pai de Atena nessa era. Oscar compartilhava da mesma surpresa. 

— Levante-se Saulo. Ordena Atena. — Quero ver teus rostos. 

Os gêmeos levantam-se. 

— Eu os conduzi até aqui. Prossegue Atena. — Vocês escreveram seus destinos, e me deram a oportunidade de escrever também o meu. 

A deusa dirige-se a Oscar. 

— És pai de meus dois mais fieis e poderosos guerreiros no futuro. Declara Atena.  — A eles depositarei minha total confiança. 

Com carinho Atena olha para Saulo. 

— Meu valoroso guerreiro. Atena toca o rosto de Saulo. — A ti confiei a mais dolorosa das missões: ser pai de minha reencarnação nesta época, a custo da vida de sua amada. Agradeço a sua dose sempre alta de amor. 

Saulo entende a morte de sua amada Marah, e sente seu coração respirar mais leve. Um grande fardo de dor saia de suas costas. 

Atena o olha com misericórdia, mas com firmeza. 

— Erraste ao aplicar teus conhecimentos em momento de fúria. Repreende a Saulo, Atena. — Esa técnica está selada por mim, neste momento. Quem ousar utilizá-la sofrerá com minha ira divina. Apenas eu posso permitir seu uso. 

Saulo estava desejoso de se manifestar, mas em respeito a Atena se continha. A deusa percebendo com um gesto o autoriza a falar. 

— Perdoe-me minha Senhora Atena. Redimi-se Saulo. — Faça desse teu servo o que melhor lhe convier. 

A redenção de Saulo agrada Atena, que sorri. 

— Sempre soube de sua fidelidade, Saulo. Afirma Atena. — Não te farei castigo algum. Conhecerás a técnica, junto a Oscar, Melias e Ankaa, mas não a executará. 

Oscar se manifesta com as mãos, pedindo para falar. Atena concede. 

— O que faremos? Indaga preocupado. — De certo não seremos mais bem quistos em Tessalian após tal incidente. Deveríamos partir com nossos filhos?

Séria, Atena olha para Oscar. 

— Vá e leve seus filhos. Reponde Atena. — Seja sábio e eles te responderão a altura. 

Em seguida a deusa dirige-se para Saulo. 

— Vá para Temísia, Saulo. Ordena Atena. — Leve contigo Rose e Sofia. Vocês a criarão no templo do Gran-Conselho. Quando Sofia completar quatorze anos vá para meu templo em Atenas. Organize meu exército para a guerra que virá.  Ela chegará até você aos quinze anos. Em breve estarei contigo, e você se lembrará de meu sorriso em tua filha. 

Saulo estava resignado. 

— Sim, Senhora Atena. Responde. — Da forma que desejar. 

A luz que inundava o local, emanada por Atena, começa a cessar e a deusa profere suas últimas palavras naquele momento. 

— Cumpram suas missões. Ordena. — Não estarão sós. Oscar irá para a Ática, vigiar o mar do paredão costeiro grego. E em seu tempo Saulo irá para meu templo em Atenas. O tempo é favorável, e suas embarcações serão conduzidas por bons ventos ao seu destino. Eis o seu falcão, Oscar. Gentileza de Melias de Tessalian. 

Todos foram transportados a local seguro. 

Os dias passam, e o incidente é esquecido por todos. Era grande a comoção pela partida de Oscar, Shina, Sig e Ozir. 

Os anos passam e Saulo e Oscar pouco se veem. Eles sentem suas energias até certo momento da vida. Em dado momento os fio que une os irmãos aparentemente se rompe, mas os gêmeos velam um pelo outro de Ática e de Lemúria, cumprindo a missão dada por Atena. 

Saulo acompanha passo a passo as vidas de Oscar, Shina, Ozir e Sig. Nas vezes em que a família visita Lemúria.

Resignada a sua missão a família segue sua história atrelada a vida da deusa da Guerra, onde o sorriso do pai é o sorriso do servo, e a do filho é também a de sua Senhora. 

Por ser humano, sem os dons dos lemurianos, Saulo recebe de Atena a técnica da longevidade, quando a jovem Sofia retribui ao seu honrado pai o dom da vida que recebera, por vontade e serviço de Atena. Saulo seria um servo direto da deusa, e importante peça nas lutas vindouras. 

TEMPO PRESENTE. 

Ozir retorna de suas lembranças, conhecedor que toda a sua família serviu Atena como grande dedicação. Não poderia ele falhar. 


O PODER DO CONTROLE TOTAL É REVELADO E SELADO POR ATENA. AS HISTÓRIAS DE FAMÍLIA SE ENTRELAÇAM, E O FUTURO VAI SENDO DESENHADO POUCO A POUCO.